A indefinição sobre o rumo que o PT vai adotar nas eleições de 2026 em Minas Gerais tem causado preocupação entre lideranças do partido no estado. O principal impasse está em torno da possível candidatura do senador Rodrigo Pacheco (PSD) ao governo mineiro com apoio do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Lula sempre defendeu publicamente que Pacheco é o nome ideal para representar o governo federal em Minas e construir um palanque sólido no estado. No entanto, o senador vinha tratando o assunto com cautela, com avaliações sobre seu futuro político e partidário. Por isso, deixou seu grupo político em compasso de espera.
A situação se tornou ainda mais incerta após a aposentadoria antecipada do ministro Luís Roberto Barroso, que abriu uma vaga no Supremo Tribunal Federal (STF). O posto é cobiçado por Pacheco há tempos, mas atualmente o cenário não parece, por ora, favorável para indicação do ex-presidente do Senado.
Soma-se isso o recente anúncio da filiação ao PSD do vice-governador Mateus Simões (Novo), pré-candidato ao Palácio Tiradentes. Por isso, caso decida concorrer ao Executivo estadual, o senador precisará buscar abrigo em outra legenda. Agremiações como PSB e MDB já fizeram o convite.
A leitura é que, a partir de abril, quando Simões deve assumir o comando do Executivo mineiro para permitir que o governador Romeu Zema (Novo) se dedique à pré-campanha presidencial, o uso da estrutura estadual tende a consolidar a vantagem da base governista. Além disso, o PSD já tem conversas avançadas com outras siglas em prol de uma coligação.
Sinais de Lula
Nos bastidores, aliados afirmam que o petista já sinalizou ao presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), principal fiador da ideia de Pacheco no Supremo, que vai indicar o advogado-geral da União, Jorge Messias, para a vaga de Barroso.
Messias é nome de confiança de Lula e já havia sido preterido nas duas últimas indicações, quando Cristiano Zanin e Flávio Dino foram escolhidos.
Como mostrou O Fator, a sinalização desanimou Pacheco em relação a uma eventual candidatura ao governo de Minas, tema pelo qual ele nunca demonstrou envolvimento efetivo nem articulou uma pré-campanha consistente.
Segundo interlocutores, Lula pretende se reunir pessoalmente com o senador antes de oficializar a indicação de Messias, numa tentativa de não só explicar sua escolha pelo advogado-geral da União, como também de convencê-lo a se lançar ao governo de Minas. Petistas avaliam, contudo, que o tempo político começa a se esgotar.
Kalil nas rodas de conversas
Com a indefinição de Pacheco, voltou a ganhar força nos bastidores a hipótese de uma reaproximação com o ex-prefeito de Belo Horizonte Alexandre Kalil, recém-filiado ao PDT. Kalil foi o candidato apoiado por Lula em 2022 ao comando do estado, mas a relação entre eles se deteriorou após divergências na condução da campanha.
Mesmo divididos, setores do PT admitem que uma nova aliança pode ser inevitável e avaliam que Kalil, hoje, demonstra mais disposição política do que Pacheco para o páreo.
Também há um grupo que defende que outros nomes do próprio partido sejam testados para a corrida eleitoral, como o da prefeita de Contagem, Marília Campos. Hoje, ela também é lembrada para disputar o Senado.