O deputado federal mineiro Delegado Marcelo Freitas (União Brasil) é apontado como o favorito para assumir a relatoria do processo de cassação contra Eduardo Bolsonaro (PL-SP) no Conselho de Ética da Câmara. O colegiado tem até 90 dias para votar a representação.
A escolha cabe ao presidente do colegiado, Fábio Schiochet (União Brasil-SC), que deve anunciar a decisão nesta sexta-feira (26). O relator sairá de uma lista tríplice formada também por Duda Salabert (PDT-MG) e Paulo Lemos (PSOL-AP).
Duda já foi considerada impedida por Schiochet de relatar o caso em razão de um vídeo publicado em suas redes sociais após o sorteio da lista tríplice. Na gravação, ela critica Eduardo e afirma que um discurso de ódio feito pelo filho de Jair Bolsonaro contra ela resultou em sua demissão da escola em que trabalhava, em Belo Horizonte.
A manifestação foi interpretada como fator que comprometeria sua imparcialidade. Pelo mesmo critério, Paulo Lemos também é apontado como nome pouco provável de relatar a ação, já que integra o Psol, partido da base governista.
Nesse cenário, restaria Marcelo Freitas. Deputados da base que integram o colegiado, no entanto, ressaltam que o político do União Brasil não é “imparcial”, uma vez que defende pautas tidas como bolsonaristas.
Parlamentares lembram que o político mineiro criticou o julgamento do ex-presidente no Supremo Tribunal Federal (STF) e já integrou o PSL, partido que se fundiu ao Democratas para formar o União Brasil.
E, embora tenha se alinhado a Luciano Bivar (União Brasil-PE) durante a fusão e se afastado da família Bolsonaro, o político mineiro atuou nas campanhas presidenciais de Jair Bolsonaro em 2018 e 2022.
Amparada nesse contexto de busca por imparcialidade, a base de apoio ao governo Lula vai tentar pressionar para que uma nova lista tríplice seja sorteada. Essa possibilidade, no entanto, é vista como improvável.
Começo do processo
O Conselho de Ética da Câmara instaurou, na terça-feira (23), um processo disciplinar contra Eduardo, a partir de uma representação apresentada pelo PT.
O partido pede a cassação do mandato por quebra de decoro parlamentar, citando ataques a instituições democráticas e a tentativa de influenciar autoridades estrangeiras para impor sanções ao Brasil.
Eduardo já responde a outras três representações no mesmo conselho e segue fora do país, nos Estados Unidos. Este fato mencionado como elemento central da denúncia e objeto de questionamentos sobre possível uso de recursos públicos durante a estadia.