A ideia da Prefeitura de Belo Horizonte (PBH) de contrair dois empréstimos que, juntos, somam quase R$ 1 bilhão, foi recebida com cautela por vereadores de diferentes grupos políticos da Câmara Municipal (CMBH). O prefeito Álvaro Damião (União Brasil) já enviou ao Legislativo ofícios solicitando aval para captar os recursos. Na mira, estão o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID)..
O objetivo é utilizar as verbas para financiar obras e programas ligados ao Meio Ambiente. Na negociação com o BNDES, a meta é conseguir R$ 500 milhões. Para as tratativas com o BID, o plano é obter US$ 80 milhões — cerca de R$ 450 milhões na cotação atual.
No material enviado aos vereadores, Damião diz que, caso as operações sejam aprovadas, o dinheiro servirá, por exemplo, para o enfrentamento dos “crescentes desafios decorrentes das mudanças climáticas”.
Em entrevista a O Fator, o vereador Pablo Almeida (PL) contestou a necessidade das operações de crédito.
“Ainda não tive acesso ao texto (o inteiro teor dos projetos). Vamos analisar primeiro, antes de tomar uma decisão concreta. Mas, acho que não deve precisar, não. Criaram quatro secretarias ano passado a um custo de R$ 50 milhões por ano. Um ‘erro de projeto’ sem justificativa na obra do viaduto da Cristiano Machado com a Waldomiro Lobo fez a intervenção custar mais R$ 120 milhões. Vão fazer uma estátua do ex-prefeito (Fuad Noman) a um custo de R$ 250 mil. A princípio, acho que o Executivo não está precisando tanto assim de um empréstimo”, afirmou
Já Pedro Patrus, líder da bancada do PT, manifestou preocupação com a destinação dos valores.
“Primeiro, vamos analisar o projeto. Sabemos que programas ambientais são fundamentais para a cidade de Belo Horizonte. Mas é importante saber quais programas serão contemplados. Não lemos o projeto ainda, e a prefeitura não discutiu nada com a bancada. Vamos ver se eles vão dialogar antes do plenário”, pontuou.
Votação nos próximos meses
De acordo com o líder do governo na Câmara, Bruno Miranda (PDT), a previsão é que a contratação dos empréstimos seja apreciada em plenário entre os meses de agosto e setembro.
“São projetos importantes para a cidade e para a gestão do prefeito. Acredito que a Câmara irá entender dessa forma”, projetou
Novo prega cautela
O Partido Novo, por sua vez, quer definir a posição sobre os projetos após a análise do conteúdo dos textos.
“Esta é uma escolha que deve se fundar no âmbito técnico, e não na política. É preciso analisar a situação financeira da Prefeitura e os impactos desses empréstimos antes de firmar uma posição”, falou a vereadora Fernanda Pereira Altoé.