Sem confirmar candidatura, Pacheco conversa com ao menos sete partidos sobre arco de alianças em Minas

Senador intensifica diálogo com PSB, PSDB e Avante no estado e mantém interlocução direta com Lula sobre cenário nacional
O senador Rodrigo Pacheco
O senador Rodrigo Pacheco, hoje no PSD, avalia se irá concorrer ou não ao comando de Minas nas eleições deste ano. Foto: Waldemir Barreto/Agência Senado

O PSB, o PSDB e o Avante também integram o grupo de partidos com os quais o senador Rodrigo Pacheco (PSD-MG) tem conversado para definir qual força teria em uma eventual coligação, caso decida disputar o governo de Minas Gerais nas eleições deste ano.

De acordo com interlocutores ouvidos pela reportagem, essas legendas integram o grupo com o qual o ex-presidente do Congresso Nacional mantém tratativas, além de MDB, União Brasil, PP e PT.

Acrescentam ainda que, mesmo que não seja candidato ao comando do estado, Pacheco pretende manter papel de protagonismo no cenário estadual após deixar o PSD e no campo dos partidos de centro e centro-esquerda.

Os movimentos mais recentes do senador buscaram esvaziar o grupo de partidos do vice-governador e pré-candidato ao governo estadual pelo PSD, Mateus Simões. O último deles foi emplacar seu aliado, o deputado federal Rodrigo de Castro, na presidência do União Brasil em Minas.

A sigla mantém federação com o PP, e o presidente anterior, o deputado federal Delegado Marcelo Freitas, estava alinhado com Simões. O PP, inclusive, lançou o secretário de Governo de Minas, Marcelo Aro, como pré-candidato ao Senado, em articulação que incluía apoio ao vice-governador.

Como mostrou O Fator, Pacheco também tem conversado com o MDB sobre a possibilidade de filiação. As negociações foram motivadas pela ausência de garantia de que, no plano nacional, o União Brasil apoiará Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na disputa pela reeleição ao Palácio do Planalto.

Relação com Lula

O presidente reafirmou, em conversa com Pacheco na última semana, o desejo de que ele dispute o governo de Minas e seja seu palanque no estado. Como mostrou a reportagem, aliados do senador passaram a demonstrar otimismo quanto à possibilidade de o ex-presidente do Congresso entrar na disputa.

No fim do ano passado, Pacheco afirmava publicamente que deixaria a vida política ao término da atual legislatura. Agora, interlocutores avaliam que os gestos recentes alteraram o cenário. A definição sobre eventual filiação ao União Brasil ou ao MDB deve ocorrer após o Carnaval.

Para não perder a possibilidade de o senador concorrer ao governo de Minas, Lula pediu, na quarta-feira, que os mantenham contato constante nos próximos dias, seja pessoalmente ou por telefone.

O presidente chegou a convidá-lo para acompanhá-lo em missão oficial à Índia e à Coreia do Sul, entre 18 e 22 de fevereiro, mas Pacheco optou por permanecer no Brasil para tratar das articulações internas e definir seu futuro político.

Conversas com o MDB

As tratativas com o MDB ocorrem em âmbito nacional, com o deputado federal Baleia Rossi (SP). Em Minas, a avaliação é que o objetivo do grupo de Pacheco foi alcançado ao tentar afastar a federação entre União Brasil e PP do arco de alianças em torno da candidatura do vice-governador.

Mas, no cenário nacional, o contexto é diferente. Como a federação exige atuação conjunta nas eleições, a decisão pode levar União Brasil e PP a apoiar o senador Flávio Bolsonaro (PL) em eventual disputa pela Presidência da República.

Sem garantia de neutralidade nos estados para a formação de palanques em favor da reeleição de Lula, Pacheco conversa com o MDB, seu ex-partido, sobre uma possível filiação. Mesmo que não dispute o pleito estadual, o senador afirma que não pretende apoiar candidatura de direita ao Palácio do Planalto.

O MDB já lançou o nome do ex-vereador de Belo Horizonte Gabriel Azevedo como pré-candidato ao Palácio Tiradentes. Porém, conforme interlocutores ouvidos por O Fator, a relação entre os dois é considerada tranquila, o que abre espaço para eventuais arranjos internos na legenda caso a filiação avance.

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