Uma declaração do ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira (PSD), elogiando o governador de Minas Gerais, Mateus Simões (PSD), provocou um novo mau estar entre aliados do governo Lula no estado.
Em discurso no Fórum Brasileiro de Líderes em Energia – Óleo e Gás, nessa quarta-feira (8), no Rio de Janeiro (RJ), Silveira chamou Simões de “rapaz muito preparado” e “muito decente”, destacando inclusive que o governador foi professor de seu filho na faculdade.
O elogio, feito em um contexto de disputa política crescente em Minas, repercutiu mal entre integrantes do PT mineiro e do grupo do senador Rodrigo Pacheco (PSB-MG), que enxergaram na fala um gesto de aproximação com um potencial adversário político.
Integrantes da base aliada de Lula em Minas avaliaram como “inoportuna” a declaração, especialmente pelo momento de indefinição nas articulações do PSB no estado. A legenda tenta manter unidade em torno da eventual candidatura de Rodrigo Pacheco ao governo mineiro em 2026, projeto que conta com a simpatia de Lula. Para aliados de Pacheco, as falas de Silveira poderiam fragilizar a construção dessa aliança.
No mesmo discurso, no entanto, Silveira teceu críticas à gestão do governo mineiro e fez uma análise crítica da situação do estado, afirmando que “Minas pode muito mais” e “ficou para trás de outros estados nos últimos anos”. O ministro citou o ex-governador Romeu Zema (Novo) como exemplo de oportunidade desperdiçada na recuperação das contas públicas e na execução de obras estruturantes.
Apesar da crítica, o ministro encerrou a fala dizendo desejar “boa sorte para ambos em Minas Gerais”, em referência a Simões e a Pacheco.
Mesmo com o mal-estar, Silveira segue com prestígio junto a Lula. Ele será o coordenador da campanha à reeleição do petista no estado, cargo similar ao que ocupou no 2° turno de 2022.
Ruídos
Esta não é a primeira vez que a relação entre Silveira e Simões gera desconforto político. No ano passado, uma reunião entre os dois em junho, realizada na sede da pasta de Minas e Energia, provocou reações negativas dentro do grupo político do ministro e do PT mineiro. À época, aliados de Pacheco consideraram o encontro um gesto de aproximação com o então vice-governador, visto como adversário natural nas eleições estaduais.
Na época, Silveira argumentou que a reunião teve “caráter técnico” e respeitou os princípios da impessoalidade e da transparência. Segundo o ministro, o objetivo do encontro foi discutir o projeto de implantação de um gasoduto entre Extrema (MG) e Bragança Paulista (SP), obra incluída no Programa de Aceleração do Crescimento (PAC).
Em coluna publicada em O Fator dias depois, Silveira defendeu que o Ministério de Minas e Energia deve atuar “segundo o interesse coletivo, independentemente da coloração partidária dos gestores locais”. Ele ainda comparou a agenda a outras manifestações de cooperação institucional entre governos de diferentes partidos, como o trabalho conjunto entre Lula e o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas.
Outro ponto de conflito foi a própria filiação de Simões ao PSD, no final do ano passado. Silveira é o presidente estadual licenciado do partido, e na avaliação de aliados, não atuou para impedir a entrada do então vice de Zema na legenda, que na época ainda abrigava Pacheco.