Em meio a críticas, governo inicia debate sobre novo edital da Loteria Mineira

Licitação, que tem previsão de arrecadação contratual bilionária, motivou queixas de associação do setor
Itens de sorteios lotéricos
Loteria Mineira divulgou no mês passado as diretrizes do edital. Foto: SEF-MG/Divulgação

O governo de Minas Gerais vai dar o pontapé inicial, nesta terça-feira (31), no processo de debate dos termos do novo edital de concessão da operação da Loteria Mineira. O rito começará com uma consulta pública marcada para a Cidade Administrativa, em Belo Horizonte, mas já é alvo de questionamentos de entidades ligadas ao setor. 

Há temor de que o pregão ocasione a continuidade do grupo que administra o setor desde 2011 e que, no ano retrasado, viu um de seus sócios ser destituído.

O consórcio responsável pela Loteria Mineira é formado pelas empresas Intralot e Saga Consultoria e Representações Comerciais. No ano retrasado, Sérgio Albuquerque, um dos participantes da sociedade, foi afastado em meio a acusações de uso indevido de recursos.

A consulta pública para a construção do novo edital foi anunciada em 19 de março. Segundo a portaria de convocação para a audiência pública, o Executivo estadual deseja contratar uma empresa para exercer atividades relacionadas à “exploração e operação dos jogos de Loterias em Sistema On Line/Real Time, contemplando a captação de apostas por meio presencial (Land Based) e digital/virtual (Cyber Space)”. 

O edital, por sua vez, data de 26 de fevereiro. O documento estabelece uma série de critérios para a definição da empresa vencedora, como experiência em jogos lotéricos virtuais, quantidade de apostas realizadas e certificações internacionais. Conforme a Loteria Mineiro, a expertise terá peso de 70% no resultado final, enquanto a proposta de preço terá valoração de 30%.

Pelo modelo contratual anexado aos documentos da licitação, a arrecadação bruta mínima estipulada para o tempo de vigência do acordo é de R$ 15,4 bilhões.

Críticas e lacunas

Segundo a advogada Fernanda São José, da Associação dos Operadores de Jogos e Loterias de Minas Gerais (Assoperlot-MG), o edital faz menção a estudos técnicos que não foram disponibilizados para consulta.

“Sem acesso total aos dados não há licitação. Há um ‘escuro administrativo’ que afasta investidores sérios e fere a Lei de Licitações”, disse, em referência à regra federal de 2021 sobre concorrências do tipo. 

Conforme Fernanda, o edital abre brecha para vendas casadas, “inclusive com a certificação de máquinas de jogos”

De acordo com ela, as diretrizes divulgadas pela Loteria Mineira cria uma “asfixia documental” aos pequenos comerciantes, podendo brecar a entrada deles no sistema loterias.

“Exigir dezenas de certidões sem critérios claros de aprovação é criar uma barreira de entrada subjetiva. Não podemos aceitar que a sobrevivência do comércio local dependa de uma canetada discricionária da Loteria Estadual, sem amparo em indicadores objetivos. O mercado de jogos exige regras de compliance, não de exclusão”, pontua.

O que diz o governo de Minas?

Procurada por O Fator, a Secretaria de Estado de Desenvolvimento Econômico (Sede), que cuida da Loteria mineira, afirmou que a consulta pública desta terça servirá para dirimir dúvidas do setor.

“Na oportunidade, serão discutidas amplamente as questões sobre o processo, garantindo a transparência da licitação para a concessão previsto pela autarquia”, afirmou a pasta.

Leia também:

Em meio a críticas, governo inicia debate sobre novo edital da Loteria Mineira

Câmara aprova em 1° turno projeto de requalificação do Centro de BH

Viana negocia filiação ao PSD e terá reunião com Kassab para bater o martelo

Veja os Stories em @OFatorOficial. Acesse