Os cirurgiões-dentistas de Minas Gerais elegem, nesta sexta-feira (12), a nova composição do Conselho Regional de Odontologia (CRO-MG). A disputa acontece em meio a denúncias contra a atual direção da entidade, chefiada pelo presidente Raphael Castro Mota.
Em 10 de novembro, o presidente do Conselho Federal de Odontologia (CFO), Cláudio Yukio Miyake, enviou um ofício a Mota pedindo explicações sobre um contrato firmado, sem licitação, entre o CRO-MG e a Adalberto Barros Sociedade Individual de Advocacia. O convênio tem valor global superior a R$ 5,5 milhões.
“A situação se mostra ainda mais delicada quando confrontada com manifestações recentes da própria diretoria do CRO-MG acerca de bloqueios judiciais que estariam comprometendo a capacidade operacional da entidade”, lê-se em um trecho do documento.
Já em 18 de novembro, conforme mostrou O Fator, o Tribunal de Contas da União (TCU) autorizou diligências para aprofundar uma investigação sobre a compra de um imóvel de R$ 1,8 milhão pelo CRO-MG em 2023. A aquisição também ocorreu por inexigibilidade de processo licitatório.
Ainda conforme a denúncia, o contrato prevê a transferência, a uma cooperativa de crédito, de 50% do potencial construtivo do imóvel adquirido. Os direitos foram estimados em R$ 2,6 milhões — cifra R$ 800 mil superior ao montante pago para a compra do imóvel.
O presidente Raphael Castro Mota é candidato à reeleição e integra uma das quatro chapas inscritas no pleito.
Em agosto de 2024, Mota chegou a ser destituído do cargo após uma intervenção do CFO. O dirigente conseguiu na Justiça o direito de retornar ao posto.
A reportagem buscou contato com o CRO-MG para esclarecer as denúncias às vésperas do processo eleitoral, mas não houve retorno. Em caso de manifestação, esta nota será atualizada.