Pouco menos de um mês após votarem favoravelmente ao projeto de lei que propunha gratuidade nas passagens dos ônibus de Belo Horizonte, visto como financeiramente inviável pela prefeitura, os vereadores Edmar Branco (PCdoB) e Wagner Ferreira (PV) têm mantido posturas antagônicas em relação à gestão liderada por Álvaro Damião (União Brasil).
Enquanto Branco busca reaproximação ao poder Executivo, Ferreira segue em rota de colisão com a administração municipal.
O Tarifa Zero foi rejeitado pela maioria dos integrantes da Câmara Municipal em 3 de outubro. No dia seguinte, em resposta aos votos de Branco e Wagner, indicados do PCdoB e do PV com cargos na prefeitura foram exonerados.
Edmar Branco, contudo, seguiu participando até mesmo de agendas públicas ao lado de Damião. Interlocutores do Executivo já admitem a possibilidade do retorno de aliados do parlamentar, por exemplo, à Empresa de Informática e Informação do Município de Belo Horizonte (Prodabel) e à coordenadoria da Regional Nordeste.
A diretoria de Inclusão Digital da Prodabel, que era chefiada até o início do mês por Mateus Santos Machado, chancelado por Branco, tem hoje como diretor interino o próprio presidente da empresa, Fernando Lopes. O posto é fortemente disputado pela base de Damião na Câmara.
Sem conversa
Já a rota de colisão entre Wagner Ferreira e a prefeitura é ilustrada por movimentos ocorridos no âmbito Legislativo. Apenas nesta semana, o vereador enviou quatro requerimentos de pedidos de informação, à secretaria municipal de Governo, questionando os motivos da ausência de representantes da prefeitura em vistorias técnicas realizadas a seu pedido
Na semana seguinte à votação do Tarifa Zero, o parlamentar do PV já havia retirado da pauta do plenário, minutos antes da apreciação, um projeto de lei de sua autoria. A base do governo na Câmara já havia articulado a reprovação do texto.