Parlamentares próximos de Eduardo Bolsonaro (PL-SP) receberam com “esperança” a escolha do deputado federal mineiro Delegado Marcelo Freitas (União Brasil-MG) como relator do processo de cassação do filho do ex-presidente Jair Bolsonaro no Conselho de Ética da Câmara.
A decisão foi oficializada nesta sexta-feira (26) pelo presidente do colegiado, Fábio Schiochet (União Brasil-SC). A definição se deu a partir de uma lista tríplice, formada também por Duda Salabert (PDT-MG) e Paulo Lemos (Psol-AP).
A deputada mineira já havia sido considerada impedida por Schiochet de assumir a função em razão de um vídeo publicado nas redes sociais após o sorteio da lista. Na gravação, ela criticava diretamente Eduardo Bolsonaro, o que, segundo o presidente do Conselho, comprometeria sua imparcialidade.
Pelo mesmo critério, a escolha de Lemos era considerada pouco provável, já que ele integra o Psol, partido da base governista. Nesse cenário, a relatoria acabou nas mãos de Marcelo Freitas, integrante do União Brasil, partido do Centrão, e com histórico de proximidade com a família Bolsonaro.
Embora a relação não tenha sido sempre de alinhamento, entre os três nomes sorteados era com ele que o PL mantinha maior possibilidade de diálogo.
Vínculos com os bolsonaristas
Marcelo Freitas já criticou o julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro no Supremo Tribunal Federal (STF) e, por sua trajetória como delegado da Polícia Federal, mantém afinidade com pautas da direita, frequentemente defendidas por parlamentares bolsonaristas.
O parlamentar também integrou o PSL, partido que mais tarde se fundiu ao Democratas para dar origem ao União Brasil. Na legenda, foi colega de Jair e Eduardo Bolsonaro e atuou como um dos principais cabos eleitorais da campanha presidencial de 2018 no Norte de Minas.
Posteriormente, o mineiro se aproximou mais de Luciano Bivar (União Brasil-PE) e se distanciou da família Bolsonaro. Ele chegou a fazer críticas ao ex-presidente. Apesar das divergências, em 2022, já como presidente do União Brasil em Minas, trabalhou em prol da candidatura de Jair Bolsonaro no segundo turno das eleições.
Conforme apurou O Fator, esse histórico de relação, ainda que marcado por momentos de tensão, reforça a avaliação de aliados de Eduardo de que a escolha de Freitas representa uma chance de interlocução mais favorável do que seria com os outros dois nomes da lista.
Possibilidades
Aliados de Eduardo Bolsonaro avaliam que não há garantias de que Marcelo Freitas produzirá um relatório favorável ao deputado, mas veem espaço para negociação. Essa percepção ganha força diante da recente convergência entre União Brasil e PL em pautas estratégicas, como o projeto do PL da Anistia, considerado prioridade para Jair Bolsonaro e sua base.
Integrantes da oposição, por outro lado, vêm tentando pressionar o Conselho de Ética a rever o sorteio da lista tríplice. A possibilidade é vista como improvável, mas interlocutores da base governista continuam insistindo nessa tese, justamente pelo histórico de proximidade entre Freitas e os Bolsonaro.
Próximos passos
Oficializada a escolha do relator, a defesa de Eduardo Bolsonaro será notificada para apresentar suas justificativas no processo. A partir disso, Marcelo Freitas elaborará um parecer, que poderá recomendar desde o arquivamento até a aplicação de sanções, incluindo a cassação do mandato.
O Conselho de Ética abriu o processo disciplinar contra Eduardo na última terça-feira (23), a partir de uma representação apresentada pelo PT. O partido acusa o deputado de quebra de decoro parlamentar, citando a ida aos Estados Unidos para atacar instituições brasileiras e tentar influenciar autoridades estrangeiras a impor sanções ao país.
A representação também menciona as ausências do político no plenário da Câmara. Desde fevereiro, o parlamentar está nos EUA e acumula 26 faltas não justificadas, mais da metade das sessões realizadas neste ano. A Constituição prevê que o deputado que faltar a um terço das sessões pode perder o mandato.