Especulações sobre saída de Márcio Macêdo expõem clima de instabilidade na Secretaria-Geral

Servidores relatam paralisia em projetos e atribuem o impasse a “fogo amigo” dentro do governo
Márcio Macêdo e Lula
Entre trancos e barrancos, Márcio Macêdo segue no comando da Secretaria-Geral da Presidência da República. Foto: Ricardo Stuckert/PR

A instabilidade na Secretaria-Geral da Presidência da República tem sido uma constante desde o primeiro ano de governo, quando surgiram as primeiras especulações sobre a possível saída de Márcio Macêdo do cargo. O motivo seria a insatisfação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) com os resultados da pasta na interlocução com movimentos sociais historicamente ligados à esquerda.

Desde então, a Esplanada passou por diversas mudanças ministeriais que não chegaram até à pasta. Em meio às negociações, chegou a ser cogitada a ida de Gleisi Hoffmann para o posto de Macêdo. A ex-presidente do PT, porém, acabou nomeada para a Secretaria de Relações Institucionais, responsável pela articulação entre o Palácio do Planalto e o Congresso Nacional.

No final do ano passado, servidores da pasta passaram a conviver com a expectativa de uma nova substituição. O nome mais citado foi o do deputado federal Guilherme Boulos (Psol-SP), visto por aliados como parte de uma estratégia voltada a 2026, quando os movimentos sociais devem ter papel central na eventual campanha de reeleição de Lula. A especulação mais recente apontava que a troca ocorreria na última semana.

Entre os servidores, o clima é de incerteza. Pessoas ligadas ao ministério relatam, sob reserva, que o ambiente ficou instável com as repetidas notícias sobre uma troca no comando. Projetos deixam de avançar, técnicos são deslocados para outras áreas e o ritmo da pasta oscila conforme as especulações se intensificam. 

Dentro do governo, há quem atribua parte desse cenário a um “fogo amigo”, vindo de setores que veem em Macêdo um obstáculo para a redistribuição de espaços de poder. Em 26 de setembro, o ministro falou sobre o assunto com a imprensa: “Esse é um cerco político desde o início, né? Eu já posso pedir gol no Fantástico três vezes, porque já são nove vezes que dizem que eu vou sair”. 

Uma pessoa próxima ao ministro disse que, enquanto as especulações continuam, a única certeza é que ele deve se desincompatibilizar do cargo em abril do ano que vem para  deputado federal. Até lá, o clima na pasta segue o mesmo: mais expectativa do que execução.

Histórico

A Secretaria-Geral é um dos cinco ministérios instalados no Palácio do Planalto, o que, em tese, dá ao titular maior proximidade com o presidente. Na prática, porém, essa relação tem se mostrado distante. O primeiro atrito entre Lula e Macêdo ocorreu em dezembro de 2023, durante o Natal dos Catadores, em São Paulo. Na ocasião, o presidente pediu “menos discurso e mais entrega” do auxiliar.

O tom subiu em evento do Dia do Trabalhador do ano passado, em Itaquera (SP). Lula demonstrou insatisfação com a falta de estrutura e público. Ele também cobrou publicamente o ministro e disse que o ato foi mal convocado e não houve esforço necessário para isso. Desde então, o evento perdeu espaço na agenda presidencial, assim como outras iniciativas feitas pelo ministério de Macêdo.

No PT, a percepção é de que Márcio Macêdo tem desempenhado um papel pouco expressivo à frente de uma pasta que, em gestões anteriores, teve relevância na formulação de políticas e na articulação com os movimentos populares. Nos primeiros mandatos de Lula, a função foi exercida por Luiz Dulci. Mas, apesar das críticas, o ministro ainda faz parte do núcleo de confiança de Lula.

Relação com Lula

Há ainda uma “gratidão” histórica, segundo fontes ouvidas pelo O Fator. Isso porque ele foi responsável por organizar as caravanas pelo país antes da prisão de Lula, em 2018. Após isso, mantém relação próxima com a primeira-dama, Janja da Silva, e foi responsável pelas finanças da campanha de 2022 do presidente.

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