Esposa de proprietário de imóvel e ‘chapeiro’ do Podemos serão ouvidos por comissão do caso Ganem  

Trabalhos do comitê serão retomados após três semanas de recesso. Vereador alvo do processo prestará depoimento em fevereiro
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Vereador Edmar Branco (PCdoB) coordena os trabalhos durante primeira reunião do comitê, realizada em 8 de janeiro. Foto: Denis Dias/CMBH

A comissão que analisa o processo de cassação do vereador Lucas Ganem (Podemos) ouve, nesta quinta-feira (29), o “chapeiro” do Podemos em 2024 e a esposa do proprietário do imóvel apontado pelo parlamentar como domicílio em Belo Horizonte. Fernanda Fraga Nogueira Duarte e Leonardo Silveira Gusmão serão os primeiros convocados a depor no colegiado.

Nas eleições municipais de 2024, Gusmão foi um dos escolhidos pelo Podemos de BH para atuar na filiação e no acompanhamento político dos candidatos de sua nominata. Em agosto de 2025, assumiu a chefia da controladoria-geral da CMBH.

Conforme mostrou O Fator, em depoimento ao Tribunal Regional Eleitoral (TRE-MG), Gusmão informou haver buscado contato com Ganem durante a eleição em pelo menos duas ocasiões, sem sucesso, no endereço supostamente residencial. O atual controlador-geral da Câmara Municipal destacou, ainda, que o então candidato não possuía comitê de campanha ou equipe para recebimento de material, circunstância atípica para quem teoricamente mantinha base política e residência no imóvel.

Situação semelhante ocorre com Fernanda Fraga Nogueira Duarte. À Polícia Federal (PF), a esposa do proprietário do imóvel afirmou que vive no endereço com Grijalva de Carvalho Lage Duarte Júnior há mais de dez anos e declarou não haver conhecido Lucas Ganem ao longo de 2024.

Cronograma

Composto pelo presidente Bruno Miranda (PDT), pelo relator Edmar Branco (PCdoB) e por Helton Júnior (PSD), o comitê processante ouvirá nas próximas semanas deputados federais e assessores de Ganem, além do próprio vereador.

A presidente estadual do Podemos, deputada federal Nely Aquino, será ouvida no próximo dia 5. Os depoimentos de Grijalva e do deputado federal Bruno Ganem (Podemos-SP), primo de Lucas, foram transferidos para 12 de fevereiro. Já Lucas Ganem comparecerá ao colegiado no dia 13 do mês que vem.   

Defesa

No documento apresentado por seus advogados à CMBH, a defesa de Ganem admite o vereador Ganem não morou no endereço fornecido à Justiça Eleitoral para o registro da candidatura, em 2024.

Segundo a banca, que se ampara no conceito de “domicílio eleitoral amplo”, o logradouro funcionava como “ponto de apoio”.

“O denunciado jamais fez inserir em documento público ou privado qualquer informação divergente, visto que nunca declarou que residia no imóvel em questão, na realidade, o endereço do Sr. Grijalva Duarte era utilizado pelo denunciado como ponto de apoio para o projeto social de defesa dos animais que já vinha desenvolvendo na cidade de Belo Horizonte. Essa informação foi devidamente esclarecida por este em seu depoimento perante a Polícia Federal”, lê-se em trecho do documento.

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