‘Estoque de vento’: por que o leilão de baterias pode redesenhar o mapa mineral e industrial de Minas

As baterias permitem estocar energia eólica e solar, tema mencionado por Dilma em 2015 e que volta ao centro do debate energético
Energia eólica e solar podem ser "estocadas" em baterias. Foto: Divulgação/Ari Versiani/PAC

Minas Gerais pode sair como um dos principais beneficiados do primeiro leilão brasileiro de sistemas de armazenamento de energia solar e eólica em baterias, previsto para abril. O impacto vai depender do índice de conteúdo local que o Ministério de Minas e Energia (MME) incluirá no edital, hoje em fase final de análise técnica.

O certame vai contratar potência para reforçar a segurança do Sistema Interligado Nacional (SIN) e tem potencial para acelerar a industrialização da cadeia de minerais críticos no estado, além de atrair investimentos em tecnologia voltada à transição energética.

A proposta é viabilizar grandes sistemas de baterias capazes de armazenar energia gerada por fontes renováveis e liberá-la nos momentos de maior demanda, reduzindo desperdícios e aumentando a confiabilidade do sistema elétrico.

O assunto, aliás, é discutido há mais de uma década. Em 2015, um vídeo da então presidente Dilma Rousseff falando sobre “estocar vento” em um evento na Organização das Nações Unidas (ONU) ganhou as redes sociais.

Conteúdo local

A definição das regras de conteúdo local é considerada um dos o pontos mais sensíveis do edital. O desafio do governo é calibrar a exigência para não afastar empresas estrangeiras que dominam as tecnologias mais avançadas, ao mesmo tempo em que cria incentivos para o desenvolvimento da indústria nacional.

A estratégia busca evitar que o Brasil se limite à importação de sistemas prontos, sem capturar valor na cadeia produtiva.

Nesse desenho, Minas Gerais aparece como peça central. Com reservas expressivas de lítio no Vale do Jequitinhonha, nióbio em Araxá, no Alto Paranaíba, e terras raras em Poços de Caldas, no Sul de Minas, o estado reúne três insumos estratégicos para diferentes composições químicas de baterias.

Como cada fabricante utiliza matérias-primas distintas, a diversidade mineral mineira amplia as chances de atrair plantas industriais ligadas aos vencedores do leilão.

A aposta do setor é que, mesmo com um índice de conteúdo local moderado, a disponibilidade de matérias-primas em Minas facilite o fornecimento de insumos e estimule a instalação de unidades de processamento e fabricação no estado. O movimento ajudaria a deslocar o foco da exportação de minério bruto para a produção de tecnologia de maior valor agregado.

Missão à China

Esse potencial tem sido apresentado ao mercado internacional. Em missão oficial à China nesta semana, o ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, vem destacando a base mineral de Minas Gerais a investidores chineses, que hoje lideram os mercados globais de armazenamento de energia e de veículos elétricos.

Além do reforço ao sistema elétrico, o governo projeta uma segunda frente de desenvolvimento ligada à mobilidade sustentável. Montadoras como a BYD, já instaladas no Brasil, acompanham o leilão como um teste para a viabilidade de verticalizar a produção de células de bateria para automóveis no país, o que pode abrir uma nova etapa de industrialização com impacto direto sobre Minas Gerais.

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