O governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), esteve nesta quarta-feira (1º) em São Paulo para participar de um evento sobre economia e aproveitou a viagem para fazer uma visita ao governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), no Palácio dos Bandeirantes. O encontro faz parte da estratégia do mineiro de reforçar a aproximação política entre os dois.
Tarcísio é visto como o nome mais provável da direita para a disputa presidencial de 2026, ambição que Zema também alimenta. O político do Republicanos é considerado o principal candidato a receber a “benção” do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), inelegível até 2030 e condenado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) a 27 anos e três meses de prisão por tentativa de golpe de Estado.
Nos últimos dias, porém, ganhou força a percepção de que Tarcísio pode disputar a reeleição em São Paulo, após declarações em que admitiu ser candidato a um segundo mandato. O próprio governador reforçou essa possibilidade a Zema, que, segundo fontes ouvidas por O Fator, saiu animado com a perspectiva de um cenário nacional menos “disputado”.
O chefe do Executivo mineiro comentou o encontro à reportagem, mas evitou detalhar a impressão que levou da reunião.
“Tarcísio me contou o que está acontecendo em São Paulo. E eu contei para ele o que está acontecendo em Minas. Queremos a mesma coisa: derrotar a esquerda. Por ora, o plano dele é disputar a reeleição em São Paulo. Mas ele vai participar ativamente da eleição presidencial. O papel dele em São Paulo terá impacto muito expressivo no plano nacional”, disse Zema.
Uma chapa entre os dois sempre é tratada em conversas sobre conjunturas políticas, mas a possível mudança de rumo do paulista está ligada ao receio de confronto com a família Bolsonaro. Pessoas próximas a Tarcísio contam que, se o apoio interno não for pacificado, ele prefere permanecer no governo estadual, onde tem chances reais de vitória no pleito do ano que vem.
A necessidade de alinhamento com o entorno de Jair Bolsonaro (PL), aliás, é citada por interlocutores de Zema. O entendimento é que os rumos da direita na eleição nacional do ano que vem só estarão claros após a família do ex-presidente sinalizar com quem caminhará na campanha.
Se o cenário sem Tarcísio se confirmar, Zema pretende ganhar fôlego entre os potenciais nomes da direita. Além dele, os governadores Ronaldo Caiado (União Brasil), de Goiás, e Ratinho Júnior (PSD), do Paraná, também são cotados para 2026.
Os governadores têm participado juntos de eventos e o mineiro defende a construção de um bloco de governadores de direita para, em momento oportuno, escolher o mais viável para a disputa. O objetivo é evitar divisões neste momento, especialmente diante do aumento da popularidade do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Até metanol
A reunião entre Zema e Tarcísio durou cerca de meia hora. Nos momentos em que a pauta não foi essencialmente política, a dupla conversou sobre temas econômicos. Houve menção até mesmo aos recentes casos de cidadãos de São Paulo contaminados por metanol presente em bebidas alcoólicas.
Foi o segundo encontro entre os governadores em duas semanas. Em 22 de setembro, eles dividiram o palco em um jantar organizado pelo Centro de Liderança Política (CLP), comandado pelo cientista político Felipe D’Avila.
Na ocasião, conversaram reservadamente sobre a necessidade das forças políticas à direita se aglutinarem em torno de uma só candidatura. Apesar do debate sobre uma possível união, não trataram, àquele momento, especificamente sobre a composição da chapa.