A ida do ex-prefeito de Belo Horizonte Alexandre Kalil para o PDT foi articulada diretamente pelo presidente nacional da legenda, Carlos Lupi. A movimentação já desperta atenção dentro do diretório mineiro, que observa os reflexos da chegada do novo filiado nas articulações para as eleições de 2026.
Kalil, hoje inelegível, já sinalizou interesse em disputar o governo de Minas, mas também é cotado para o Senado. A hipótese acende um alerta no PDT mineiro, onde já circulam outros nomes para a vaga, como os deputados federais Mário Heringer e Duda Salabert. Ambos, no entanto, não confirmaram quais são os planos para o ano que vem.
Para interlocutores pedetistas ouvidos pela reportagem, embora Kalil venha sendo testado em pesquisas de intenção de voto para o governo, é preciso haver debates internos antes de definir o papel do dele na disputa eleitoral de 2026. O entendimento é que o “projeto Kalil”, encampado por Lupi, não pode se sobrepor a articulações locais que já vêm sendo ensaiadas nos bastidores.
Além das questões internas, nomes do PDT em Minas questionam o que Kalil poderá de fato agregar ao partido. O histórico de atritos do ex-prefeito com siglas pelas quais já passou – PSB, PHS e PSD – alimenta dúvidas sobre sua relação com a legenda, sobretudo porque a filiação foi negociada com Lupi, sem participação do diretório mineiro.
O presidente nacional do partido comunicou a chegada do quadro à legenda em reunião, na segunda-feira (2), com senadores e deputados federais da sigla. As negociações vinham ocorrendo há alguns meses e não passou pelo crivo de membros da sigla em Minas. Agora, o partido prepara um ato público para oficializar a entrada de Kalil.
O ex-chefe do Executivo de BH está inelegível por cinco anos após condenação por improbidade administrativa. Ele é acusado de se omitir no cumprimento de ordem que determinava a reabertura de ruas e de uma praça no bairro Mangabeiras III, mantidas fechadas por uma associação de moradores.
A Justiça ainda proibiu o ex-prefeito de contratar com o poder público e o condenou, junto à associação, a pagar R$ 100 mil por danos morais coletivos. A decisão, em primeira instância e passível de recurso, aponta que ele ignorou ordem judicial definitiva e recomendações do Ministério Público.
Desempenho eleitoral
Kalil disputou o governo de Minas em 2022 com apoio do então candidato à Presidência Luiz Inácio Lula da Silva (PT), mas foi derrotado pelo governador Romeu Zema (Novo). A campanha terminou em rompimento com o PT, marcada por divergências entre os partidos e atritos com lideranças petistas.
Já em 2024, Kalil voltou ao cenário político como fiador da candidatura do deputado estadual Mauro Tramonte (Republicanos) à Prefeitura da capital mineira. A derrota do aliado, que liderava as pesquisas de intenção de votos e terminou em terceiro lugar, também atingiu sua imagem.