Governo de MG coloca chefes de PCC, CV e TCP em lista federal de mais procurados

Delegado diz que facções intensificaram disputa armada por territórios mineiros e aponta aliança entre duas facções
Foto mostra ambiente de penitenciária
Minas indicou oito nomes para a lista nacional de procurados. Foto: Marcello Casal Jr./Agência Brasil

Organizada pelo Ministério da Justiça, com ajuda dos estados, a lista nacional dos foragidos mais perigosos mostra o impacto de facções do Rio de Janeiro e de São Paulo na segurança pública de Minas Gerais. Dos oito criminosos indicados pelo governo estadual para a relação federal, a maioria está vinculada às facções cariocas Comando Vermelho (CV) e Terceiro Comando Puro (TCP) ou à paulista Primeiro Comando da Capital (PCC), que disputam território e rotas pelo país. A nominata foi divulgada na segunda-feira (8).

“Os alvos apresentam características comuns: são criminosos de alta periculosidade, com condenações por delitos graves, e figuram entre as principais lideranças das três maiores facções criminosas do país: PCC, Comando Vermelho e Terceiro Comando Puro”, diz a O Fator o delegado Murillo Ribeiro de Lima, especialista em inteligência policial e crime organizado e ex-coordenador do programa Procura-se em Minas Gerais.

O delegado destaca que neste ano ficaram mais intensas disputas armadas por territórios mineiros entre o CV e o PCC, que se aliou ao TCP. 

“Nos últimos meses, os conflitos mais intensos em Minas Gerais têm sido motivados por disputas territoriais na capital, na Região Metropolitana, na Zona da Mata e no Norte do estado. Destaca-se, nesse cenário, a guerra entre o Comando Vermelho e o Terceiro Comando Puro, este último apoiado pelo PCC e por diversas gangues locais, aliança conhecida como ‘Tudo 3′”, acrescenta o delegado. 

Quem são os mais procurados de Minas

  • Anderson Ferreira Santos, o “Andinha”, é tratado como chefe da facção Família Teófilo Otoni (FTO), organização criminosa do Vale do Mucuri e Jequitinhonha que atua como braço local do Comando Vermelho. Também conhecido como “Bala”, Anderson acumula processos e condenações por organização criminosa, lavagem de dinheiro e tráfico de drogas. 
  • Douglas de Azevedo Carvalho, o “Mancha”, é acusado em processos de atuar tanto no tráfico de drogas quanto no roubo de cargas, e de ser ligado ao Comando Vermelho. Ele teve operações investigadas no balneário de Escarpas do Lago, em Capitólio. Responde a processos por organização criminosa e lavagem de dinheiro. 
  • Rafael Carlos da Silva Ferreira, o “Rafael Paraíba”, é identificado como chefe do TCP tanto no Morro da Mineira, no Complexo do São Carlos, no Rio de Janeiro, e também como responsável pela organização criminosa “Sala Vip”, que trafica drogas no aglomerado Cabana do Pai Tomás, em Belo Horizonte.
  • Marcelo Jaime Gonçalves, o “Marcelinho Pisca-Pisca”, já foi citado chefe da gangue do “Beco dos Ratos”, em Vista Alegre, Belo Horizonte, e é considerado um dos chefes do CV em Minas Gerais, condenado por homicídios e tráfico de drogas.
  • Paulo Sérgio Sousa da Silva Júnior é considerado um dos criminosos mais perigosos do estado em roubos e sequestros. A Justiça suspendeu sua liberdade condicional depois de ser acusado de cometer novo crime. Já foi condenado por extorsão mediante sequestro. 
  • Dalmo Gomes dos Santos, o “Pantera” ou “Rebelde”, é apontado em investigações policiais como um dos chefes do PCC em Minas Gerais. Acumula condenações por homicídio, extorsão mediante sequestro e tráfico de drogas. Em 2017, comparsas promoveram uma ação armada para ajudá-lo a fugir da Associação de Proteção e Assistência a Condenados (Apac) de Santa Luzia. 
  • Ângelo Gonçalves de Miranda Filho, o “Pezão”, é também apontado como um dos chefes do PCC em Minas Gerais. Já foi condenado por tráfico de drogas, lavagem de dinheiro e organização criminosa.
  • Sonny Clay Dutra, o “Nycolas”, é considerado um dos maiores traficantes de Minas Gerais, ligado a diferentes fornecedores de drogas do Mato Grosso do Sul e do Paraguai. Já foi preso quando atuava como cartola e jogador de futebol amador do clube Peñarol de Ouro Preto. Acumula condenações por tráfico de drogas, lavagem de dinheiro e organização criminosa. 

Ressalvas à lista federal

Para o delegado Murillo Ribeiro de Lima, a lista federal pode ter sido lançada com a expectativa de melhorar a imagem do governo Lula em assuntos de segurança pública. 

“A criação da lista nacional pelo Ministério da Justiça parece responder também a interesses de ganho político em um momento em que o debate sobre segurança pública domina o Congresso, especialmente com o Marco Legal de Combate ao Crime Organizado e a PEC da Segurança Pública em pauta”, avalia.

O policial alerta para o risco de se criar múltiplos canais para denúncias sobre o paradeiro dos criminosos, mas avalia que a lista federal amplia a divulgação de imagens de foragidos e pode aumentar as chances de prendê-los.

“A ampla divulgação das imagens e informações desses foragidos em todo o país aumenta as chances de localização e captura, o principal aspecto positivo de uma lista nacional”, conclui.

Em nota a O Fator, a Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública lembrou que três dos citados na lista federal — Marcelo Jaime Gonçalves, Ângelo Gonçalves de Miranda Filho e Sonny Clay Dutra — já constam na relação estadual dos mais procurados.

“As indicações levaram em consideração mandados de prisão em aberto, a periculosidade dos indivíduos, e fichas criminais que contém práticas reiteradas de crime, além de envolvimentos diretos na liderança de facções criminosas, critérios que os colocam como alvos prioritários para o sistema de Segurança Pública de Minas Gerais”, informou a pasta.

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