Impasse entre grupos do PSD adia definição sobre candidatura em Minas

Indefinição de Rodrigo Pacheco trava PSD em Minas enquanto ala defende filiação de Mateus Simões
Gilberto Kassab
Gilberto Kassab aguarda definições nacionais para orientar o PSD nos estados. Foto: Alexandre Diniz / Scriptum Editorial

No PSD de Minas Gerais, as conversas sobre a tentativa de filiação do vice-governador Mateus Simões (Novo) escancaram uma divisão interna antiga, mas que agora trava o andamento das tratativas em torno da disputa pelo comando do estado nas eleições do ano que vem.

De um lado, uma ala formada sobretudo por deputados estaduais trabalha para consolidar a chegada do vice, que já teria sinalizado positivamente ao convite. O partido, vale lembrar, é presidido em Minas pelo deputado Cássio Soares, tido como um quadro favorável à filiação de Simões. 

Interlocutores próximos ao presidente nacional do PSD, Gilberto Kassab, afirmam que nenhuma decisão será tomada antes de o senador Rodrigo Pacheco definir se disputará o governo de Minas e também se irá permanecer na legenda. 

Mesmo contrariado, Kassab decidiu aguardar a posição do mineiro, em gesto de respeito à sua liderança. Mas o pano de fundo envolve também uma questão nacional: o julgamento de Jair Bolsonaro (PL) no Supremo Tribunal Federal (STF) por tentativa de golpe de Estado. 

Nos bastidores, é dada como certa a condenação do ex-presidente. A principal dúvida é sobre quem ele escolherá como sucessor na corrida pela Presidência da República. O nome favorito, por ora, é o do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos).

Kassab ocupa o cargo de secretário de Governo e Relações Institucionais de São Paulo e é um dos principais entusiastas de uma candidatura de Tarcísio ao Planalto — seja pelo Republicanos ou pelo PL. E é essa definição nacional que pode alterar todo o cenário em Minas.

O nome de Pacheco é lembrado para a disputa ao governo mineiro com a “benção” do presidente Lula. No entanto, uma eventual composição com a direita no âmbito nacional pode levar o senador a rever sua estratégia, inclusive com a possibilidade de mudança de sigla.

Nesse cenário, o nome de Simões fica ainda mais forte por seu alinhamento com a direita. Recentemente, o vice-governador recebeu elogios públicos de Douglas Melo, ex-deputado estadual do PSD e prefeito de Sete Lagoas. 

Durante solenidade na cidade neste mês, Melo indicou que, independentemente dos rumos que seu partido tomará em 2026, pode caminhar ao lado do vice de Zema.

Convite a Simões

O PSD ofereceu a Simões vantagens estratégicas diante de insatisfações com Novo. Entre eles estão: tempo expressivo de televisão, recursos suficientes para sustentar uma campanha ao governo de Minas e uma bancada de 10 deputados estaduais com expectativa de crescimento.

Mas, como O Fator mostrou, as tratativas ficaram travadas após o entendimento de que não há como avançar sem a definição de Pacheco. Diante disso, o vice também mudou de postura e passou a tratar não exclusivamente de uma filiação ao PSD, mas também de uma possível composição de chapa.

O vice-governador busca construir uma aliança mais ampla entre partidos de direita, como a federação União Brasil e PP, além de Podemos, Solidariedade e outras siglas que integram a base do governo na Assembleia Legislativa. Pesa também a relação de Simões com o governador Romeu Zema.

Compasso de espera

O Fator adiantou que Rodrigo Pacheco se comprometeu a dar uma resposta ao seu grupo político sobre o futuro até outubro. Estão na mesa do senador: buscar o governo do estado, tentar a reeleição ao Senado ou retomar as atividades no escritório de advocacia.

Uma quarta possibilidade, de ocupar uma vaga no Supremo Tribunal Federal (STF), depende de fatores externos. É necessário que se confirmem os rumores de uma aposentadoria antecipada do ministro Luís Roberto Barroso ainda no governo Lula e que Pacheco seja indicado para a vaga. 

Como é hoje

O PSD enfrenta hoje uma divisão interna entre o grupo do senador Rodrigo Pacheco e o do deputado estadual Cássio Soares, que, segundo aliados, estaria equilibrada em cerca de 50% para cada lado. A proximidade de Kassab com Bolsonaro e Tarcísio também influencia esse quadro.

No grupo de Pacheco, deputados federais procuram transmitir otimismo. Avaliam que, caso o ex-presidente do Senado confirme rapidamente sua candidatura ao governo de Minas, a atual divisão interna se desmancharia, garantindo ao senador maioria absoluta. 

Além da bancada federal, outro nome que é contrário à chegada do vice-governador ao PSD é o ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira. Ele também tenta convencer Kassab de fechar aliança com o presidente Lula em 2026. 

Falas de Zema

A declaração dada pelo governador de Minas, Romeu Zema, ao admitir a possibilidade de seu vice e pré-candidato à sucessão, Mateus Simões, trocar o Novo pelo PSD, foi interpretada de formas diferentes pelos partidos

Na legenda de Zema, a avaliação é que, ao tocar publicamente no assunto, o chefe do Executivo estadual encontrou uma forma de pressionar a cúpula da agremiação a acelerar as tratativas para a montagem de chapas legislativas e palanques e, assim, garantir a manutenção de um filiado considerado estratégico. 

Por outro lado, pessedistas simpáticos à possibilidade pregam cautela. Mas em função da declaração pública de Zema, o entendimento é que o assunto pode voltar a ganhar fôlego. 

“Sei que ele (Simões) tem conversado (com o PSD). Essa decisão vai depender muito dele. Ele sempre faz tudo com muita transparência — inclusive, com relação ao Partido Novo. Vamos ver essa decisão nas próximas semanas ou meses. Vai depender muito desse contexto eleitoral que está se formando para 2026”, afirmou o governador, nessa segunda-feira (25), ao participar do “Roda Viva”, da TV Cultura.

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