Indefinição de Barroso no STF impacta cenário do governo de Minas em 2026

Aliados de Rodrigo Pacheco aguardam decisão do ministro sobre permanência no Supremo, que pode alterar os rumos da disputa em MG
Lula, Barroso e Pacheco
Decisão de Barroso sobre seu futuro no Supremo afeta a disputa ao governo de Minas e o palanque de Lula no estado. Foto: Fellipe Sampaio /SCO/STF

As declarações recentes do ministro Luís Roberto Barroso, que entrega nesta segunda-feira (29) a presidência do Supremo Tribunal Federal (STF) a Edson Fachin, acenderam alerta nas movimentações ao governo de Minas Gerais para o pleito do ano que vem, principalmente entre aliados do ex-presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD-MG).

Em entrevistas recentes, Barroso deixou no ar a possibilidade de uma saída antecipada do Supremo, sem deixar claro se pretende se aposentar antes das eleições de 2026. Pela Constituição, a aposentadoria compulsória só ocorre aos 75 anos – idade que o ministro alcançará apenas em 2033. Qualquer desligamento anterior dependeria, portanto, de decisão pessoal.

“Vou fazer um retiro espiritual em outubro. Uma semana. E vou decidir. Eu gosto do STF. Tenho uma relação boa com meus colegas. Às vezes tenho a sensação de ter cumprido um ciclo. Não quero lugar de nenhum embaixador (…). Se for para ficar no setor público eu ficaria no Supremo. O Supremo tem muitas coisas boas”, disse em entrevista no domingo (28) à GloboNews.

A indefinição repercute diretamente no tabuleiro mineiro. Pacheco é citado como um dos principais nomes para disputar o governo de Minas no ano que vem, com o apoio do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Sua decisão, porém, também está atrelada ao calendário do STF, já que é lembrado como possível indicado para uma vaga na Corte.

A expectativa do grupo do senador no PSD era de que o parlamentar definisse até outubro se disputaria o governo de Minas, buscaria a reeleição ao Senado ou retomaria a advocacia. A possibilidade de uma vaga no Supremo, no entanto, reforçada pelas declarações ambíguas de Barroso, mantém o grupo em compasso de espera.

O impasse também repercute no PT. A candidatura de Pacheco é tratada como o caminho natural de aliança em Minas, mas, sem definição do senador, o partido não tem um nome consolidado. A indefinição deixa em aberto o palanque de Lula em um estado considerado decisivo em eleições presidenciais.

Uma ala do PSD, sobretudo deputados estaduais, defende a ida de Pacheco ao STF para abrir espaço à filiação do vice-governador Mateus Simões (Novo). A entrada dele poderia ainda aproximar Republicanos e PL dessa frente, em sintonia com a articulação nacional das siglas, que já sinalizam a possibilidade de caminhar juntas na eleição presidencial de 2026.

O caminho não é simples

Mesmo com o apoio de nomes de peso na Corte, como Gilmar Mendes e Alexandre de Moraes, a eventual indicação de Rodrigo Pacheco ao Supremo depende exclusivamente da decisão do presidente Lula. Há outros cotados para a vaga, entre eles o advogado-geral da União, Jorge Messias, homem de confiança do petista.

Em 2023, Messias aguardava ser escolhido para o Supremo, mas foi preterido quando Lula indicou Flávio Dino para a vaga deixada por Rosa Weber. Também figuram entre os cotados o presidente do Tribunal de Contas da União (TCU), Bruno Dantas, e a presidente do Superior Tribunal Militar (STM), Maria Elizabeth Rocha.

O nome da mineira é lembrado diante da pressão por mais mulheres na Corte, atualmente representada apenas por Cármen Lúcia entre os 11 ministros. Agora, se Barroso decidir permanecer na Corte, a próxima vaga no STF somente será aberta em 2028, com a aposentadoria compulsória de Luiz Fux.

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