As declarações recentes do ministro Luís Roberto Barroso, que entrega nesta segunda-feira (29) a presidência do Supremo Tribunal Federal (STF) a Edson Fachin, acenderam alerta nas movimentações ao governo de Minas Gerais para o pleito do ano que vem, principalmente entre aliados do ex-presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD-MG).
Em entrevistas recentes, Barroso deixou no ar a possibilidade de uma saída antecipada do Supremo, sem deixar claro se pretende se aposentar antes das eleições de 2026. Pela Constituição, a aposentadoria compulsória só ocorre aos 75 anos – idade que o ministro alcançará apenas em 2033. Qualquer desligamento anterior dependeria, portanto, de decisão pessoal.
“Vou fazer um retiro espiritual em outubro. Uma semana. E vou decidir. Eu gosto do STF. Tenho uma relação boa com meus colegas. Às vezes tenho a sensação de ter cumprido um ciclo. Não quero lugar de nenhum embaixador (…). Se for para ficar no setor público eu ficaria no Supremo. O Supremo tem muitas coisas boas”, disse em entrevista no domingo (28) à GloboNews.
A indefinição repercute diretamente no tabuleiro mineiro. Pacheco é citado como um dos principais nomes para disputar o governo de Minas no ano que vem, com o apoio do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Sua decisão, porém, também está atrelada ao calendário do STF, já que é lembrado como possível indicado para uma vaga na Corte.
A expectativa do grupo do senador no PSD era de que o parlamentar definisse até outubro se disputaria o governo de Minas, buscaria a reeleição ao Senado ou retomaria a advocacia. A possibilidade de uma vaga no Supremo, no entanto, reforçada pelas declarações ambíguas de Barroso, mantém o grupo em compasso de espera.
O impasse também repercute no PT. A candidatura de Pacheco é tratada como o caminho natural de aliança em Minas, mas, sem definição do senador, o partido não tem um nome consolidado. A indefinição deixa em aberto o palanque de Lula em um estado considerado decisivo em eleições presidenciais.
Uma ala do PSD, sobretudo deputados estaduais, defende a ida de Pacheco ao STF para abrir espaço à filiação do vice-governador Mateus Simões (Novo). A entrada dele poderia ainda aproximar Republicanos e PL dessa frente, em sintonia com a articulação nacional das siglas, que já sinalizam a possibilidade de caminhar juntas na eleição presidencial de 2026.
O caminho não é simples
Mesmo com o apoio de nomes de peso na Corte, como Gilmar Mendes e Alexandre de Moraes, a eventual indicação de Rodrigo Pacheco ao Supremo depende exclusivamente da decisão do presidente Lula. Há outros cotados para a vaga, entre eles o advogado-geral da União, Jorge Messias, homem de confiança do petista.
Em 2023, Messias aguardava ser escolhido para o Supremo, mas foi preterido quando Lula indicou Flávio Dino para a vaga deixada por Rosa Weber. Também figuram entre os cotados o presidente do Tribunal de Contas da União (TCU), Bruno Dantas, e a presidente do Superior Tribunal Militar (STM), Maria Elizabeth Rocha.
O nome da mineira é lembrado diante da pressão por mais mulheres na Corte, atualmente representada apenas por Cármen Lúcia entre os 11 ministros. Agora, se Barroso decidir permanecer na Corte, a próxima vaga no STF somente será aberta em 2028, com a aposentadoria compulsória de Luiz Fux.