Indefinição de Bolsonaro segura xadrez do PL em Minas e adia definição de candidaturas para 2026

Partido avalia candidatura própria ou composição em uma chapa, enquanto aguarda definição do ex-presidente
Bolsonaro
O ex-presidente Jair Bolsonaro ainda não definiu quem terá sua benção para a disputa ao Palácio do Planalto em 2026. Foto: Lula Marques/Agência Brasil

Caciques do PL avaliam nos bastidores que a definição dos rumos da legenda em Minas Gerais deve ocorrer apenas a partir de janeiro, quando o ex-presidente Jair Bolsonaro decidir o caminho nacional do partido para as eleições de 2026.

Como mostrou O Fator, a legenda trabalha com duas hipóteses para o governo mineiro: lançar candidatura própria, com o deputado federal Nikolas Ferreira, ou integrar uma composição de chapa, apresentando, inclusive, um candidato a vice-governador. Conforme apurado por O Fator, um dos nomes cotados é o do deputado federal Zé Vitor.

As conversas seguem reservadamente e dependem do desenho político que se consolidará no início de 2026. Um dos cenários analisados é o de uma aliança com o Republicanos, que tem o senador Cleitinho Azevedo como principal nome para a disputa estadual.

Outro caminho passa por uma composição com o vice-governador Mateus Simões, que se filia ao PSD na próxima segunda-feira (27) e articula a formação de uma coligação ampla de centro-direita, tentando atrair Republicanos e PL para o bloco.

Segundo interlocutores, o momento é de conversa, mas muita cautela. A avaliação é que a conjuntura ainda é de instabilidade, enquanto Bolsonaro tenta converter sua pena por golpe de estado, decretada pela Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF), em prisão domiciliar.

Nos bastidores, o entendimento é que as peças do tabuleiro eleitoral mudam rapidamente. “Hoje o pré-candidato está na rua, amanhã tropeça em uma fala ou se envolve em escândalo, e o jogo muda. É um jogo de quem erra menos”, avaliou um dirigente ouvido pela reportagem.

Em público, a avaliação é que uma eventual aproximação a Simões dependeria da concessão de espaço ao partido na chapa majoritária. Os correligionários de Bolsonaro têm, como prioridade, lançar candidaturas ao Senado Federal.

Como O Fator já mostrou, o deputado federal Domingos Sávio, presidente do PL mineiro, diz que os liberais poderiam se aliar ao vice de Romeu Zema (Novo) “se o partido for valorizado e contemplado no projeto”. Caso contrário, a opção será por candidatura própria à chefia do Executivo.

Nikolas, Cleitinho e Zé Vitor são possibilidades

A prioridade do PL é garantir protagonismo em um projeto de centro-direita em Minas. Se o partido encabeçar a chapa, o nome será Nikolas Ferreira. Agora, se optar pela composição, o nome de Zé Vitor desponta como alternativa para concorrer como candidato a vice-governador.

Conforme apurou O Fator, o parlamentar do Triângulo Mineiro foi citado pela executiva em Brasília por sua boa relação com as direções estadual e nacional do PL, além da capilaridade junto ao setor produtivo do estado, especialmente o agronegócio.

As conversas sobre composição de chapa estão mais amplas em função da resistência de Nikolas para encabeçar um palanque para o Executivo estadual. O Fator revelou que um dos motivos é a situação fiscal de Minas, que lida com uma dívida superior a R$ 170 bilhões junto à União.

A decisão do deputado federal quanto aos rumos que tomará no ano que vem é vista como importante, também, para Cleitinho. Aliados do senador afirmam que são poucas as chances de o político do Republicanos topar concorrer contra Nikolas na disputa estadual.

A avaliação é que eles chegarão a um consenso e, juntos, definirão se, eventualmente, um dos dois encabeçará uma chapa.

À espera de Bolsonaro

A legenda acredita que a decisão final sobre as chapas estaduais deve vir atrelada a um acordo nacional, após Bolsonaro confirmar quem será o candidato do campo conservador à Presidência da República.

Hoje, o mais cotado é do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), que tem admitido a possibilidade de tentar a reeleição em 2026 diante da divisão da direita e da boa popularidade do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Nesse contexto, lideranças avaliam que eventuais definições em estados estratégicos, como Minas e São Paulo, podem ser resultado de um grande rearranjo de forças, o que incluiria até a hipótese de recuo do governador Romeu Zema (Novo), hoje pré-candidato ao Palácio do Planalto, em prol de uma composição mais ampla.

Disputa ao Senado

O prazo de janeiro também é considerado decisivo para as articulações ao Senado. No PL, o nome do presidente estadual da legenda, o deputado federal Domingos Sávio, tem sido dado como certo para uma das vagas.

No entanto, o deputado estadual Cristiano Caporezzo tenta explorar o viés ideológico do partido junto à família Bolsonaro para defender a abertura de uma segunda candidatura ou até mesmo desbancar o dirigente na disputa.

Caporezzo, inclusive, foi autorizado pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), a visitar, nesta quinta-feira (25), o ex-presidente, que está em prisão domiciliar em Brasília (DF).

Após o encontro, ele disse ter ouvido de Bolsonaro que o partido lançará dois concorrentes ao Senado pelo estado no ano que vem.

“O presidente Bolsonaro afirmou que serão duas vagas para o Senado em Minas Gerais e (que) certamente uma dessas duas vagas será minha. Quero agradecer muito a confiança do presidente Bolsonaro e a amizade dele. Pode ter certeza: eu vou honrar”, disse o deputado, a O Fator.

Outro nome que pretende assumir a Casa Alta é o deputado federal Eros Biondini. Zé Vitor, anteriormente, também era citado para esse pleito.

Fransciny Ferreira é jornalista, com especialização no setor público e em gestão de imagem. Atua na cobertura política, com experiência em redações, assessoria de imprensa e marketing digital. Foi editora-chefe de O Tempo em Brasília, assessora da Presidência do Senado e liderou estratégias de PR no setor farmacêutico. Sugestões de pautas para: [email protected]

Foi repórter especial do caderno de Política do Estado de Minas. Trabalhou, também, na Rádio Itatiaia. Antes, militou no jornalismo esportivo, no Superesportes.

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