A produção industrial brasileira manteve-se relativamente estável em fevereiro, com leve queda de 0,1% em relação a janeiro, segundo dados divulgados pelo IBGE e compilados pela Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg). Apesar do crescimento de 2,7% no segmento extrativo, o resultado geral ficou abaixo da expectativa do mercado, que projetava alta de 0,3%.
O desempenho negativo foi influenciado principalmente pelo recuo de 0,5% na indústria de transformação, onde 14 das 24 atividades pesquisadas registraram retração. Os setores de farmoquímicos e farmacêuticos (-12,3%), máquinas e equipamentos (-2,7%) e produtos de madeira (-8,6%) foram os principais responsáveis pela queda, enquanto a indústria de alimentos apresentou crescimento de 1,7%, contribuindo positivamente para o resultado.
Na comparação com fevereiro de 2024, a produção industrial apresentou crescimento de 1,5%, impulsionada pelo avanço de 2,3% na indústria de transformação. Neste comparativo, o segmento extrativo registrou queda de 3,2%. Entre os destaques positivos estão os setores de veículos (13,3%), máquinas e equipamentos (11,9%) e químicos (5%). Já a principal influência negativa veio da atividade de derivados de petróleo e biocombustíveis, com recuo de 4,3%.
No acumulado de 2025, a produção industrial brasileira cresceu 1,4%, com a indústria de transformação avançando 2,5%, enquanto o segmento extrativo recuou 4,3%. Com o resultado de fevereiro, a indústria brasileira está 1,8 ponto acima do patamar pré-pandemia, registrado em janeiro de 2020.
Entre as grandes categorias econômicas, bens de capital e bens intermediários registraram crescimento de 0,8% em relação a janeiro, enquanto bens de consumo recuaram 1,3%. Na comparação com fevereiro de 2024, bens de capital destacaram-se com crescimento de 8,5%, seguidos por bens de consumo (2,6%).
De acordo com a Gerência de Economia da Fiemg, a indústria brasileira deve enfrentar um cenário de desaceleração em 2025, reflexo do aperto monetário prolongado com a retomada da alta dos juros. Este movimento encarece o crédito, restringindo investimentos produtivos e o consumo das famílias, ambos fundamentais para o dinamismo do setor.
Além disso, a projeção de convergência da inflação à meta apenas em 2027 prolonga os efeitos da perda de poder de compra, enfraquecendo a demanda e gerando reflexos negativos sobre a atividade industrial. O ambiente de incertezas também desestimula novos investimentos, limitando a ampliação da produção.
Diante desse cenário, a Fiemg projeta um crescimento de 1,6% para a produção industrial brasileira em 2025, um pouco acima do resultado acumulado até fevereiro.