O prefeito de Divinópolis (Centro-Oeste), Gleidson Azevedo, confirmou a O Fator a possibilidade de deixar o Partido Novo para concorrer ao Senado Federal pelo Republicanos. Até então, o irmão gêmeo do senador Cleitinho Azevedo (Republicanos) dizia que o objetivo era disputar uma vaga na Câmara dos Deputados pela legenda do governador Romeu Zema.
Ele condiciona a mudança partidária e de rota eleitoral ao espaço garantido pelo Republicanos na chapa majoritária.
“Se me derem a vaga (ao Senado), vou, sim”, afirmou.
O convite para a migração surgiu a partir da análise de que o prefeito pode herdar parte do capital político do irmão, que obteve 4,2 milhões de votos em 2022. O movimento está condicionado à confirmação de Cleitinho à corrida pelo governo de Minas Gerais.
A movimentação ocorre no momento em que a cúpula nacional do Republicanos avalia acelerar os preparativos para lançar, ainda nesta semana, a pré-candidatura de Cleitinho ao Palácio Tiradentes.
Conforme adiantou O Fator, interlocutores afirmam que o presidente do Republicanos, Marcos Pereira (SP), e a direção da federação União Brasil-PP realizaram encontros para debater a possibilidade de apoio ao congressista na corrida pelo Executivo.
Cleitinho tem afirmado que ainda não decidiu se vai disputar o Palácio Tiradentes e que a palavra final virá das pesquisas. O parlamentar, no entanto, lidera os levantamentos estimulados com até 45% das intenções de voto, mantendo-se na ponta também na pesquisa espontânea, com cerca de 6%.
Desarmonia
A entrada de Gleidson na disputa pela Casa Alta cria um novo foco de tensão na aliança encabeçada pelo vice-governador Mateus Simões (PSD), que apoia o secretário de Governo, Marcelo Aro (PP), para o Senado.
A outra vaga está reservada para o PL, que ainda não se decidiu sobre quem vai apoiar para o governo de Minas, ou, ainda, se lançará candidato próprio. A intenção do Novo é indicar o vice de Simões, inviabilizando a hipótese de ter nome próprio para senador
A propósito, o clima entre os grupos de Simões e Cleitinho sofreu abalo após o pessedista atacar o presidente do Republicanos em Minas, Euclydes Pettersen.
“Eu acho que o Republicanos tem que se preocupar mais em explicar a situação do presidente estadual do partido, que está quase preso pela Polícia Federal, do que ficar falando em administrar o estado”, disse.
Pettersen rebateu a artilharia de Simões. Para o dirigente, a base governista demonstra medo de Cleitinho assumir o Palácio Tiradentes e retirar o sigilo das isenções fiscais concedidas a empresários no estado, que somam mais de R$ 130 bilhões.
“São quase R$ 130 bilhões em jogo. Se tiver algum problema e Cleitinho descobrir, o valor pode superar as fraudes do Banco Master e do INSS juntas”, contrapôs.
Reação do Novo
Embora dirigentes do Novo não acreditem na mudança de sigla do prefeito, a saída de Gleidson Azevedo seria um revés para a estratégia de formar bancada em Brasília, já que o partido o trata como o principal puxador de votos no estado. O entendimento prévio entre a sigla e o prefeito permitia que ele apoiasse o irmão publicamente mesmo em palanques opostos.
A articulação do Republicanos visa fortalecer o poder de barganha da legenda no plano nacional. Sem pré-candidato próprio ao Palácio do Planalto, a agremiação de Marcos Pereira aposta em palanques em estados estratégicos como Minas e São Paulo, onde o governador Tarcísio de Freitas tende a disputar a reeleição, para ampliar o peso nas negociações presidenciais de 2026.