Justiça suspende ações individuais sobre Brumadinho para priorizar decisões coletivas

Medida busca evitar decisões conflitantes entre os milhares de processos espalhados pelos tribunais mineiros
Bombeiros atuam em Brumadinho
Tragédia de Brumadinho, em 2019, deixou 270 mortos. Foto: CBMMG/Divulgação

A 2ª Vara da Fazenda Pública de Belo Horizonte decidiu na última sexta-feira (28) suspender temporariamente as ações individuais que tratam de indenizações relacionadas ao rompimento da barragem da Mina Córrego do Feijão, em Brumadinho, ocorrido em 25 de janeiro de 2019. A decisão atende a um pedido apresentado pelo Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) e pelo Ministério Público Federal (MPF).

A suspensão valerá para ações individuais cujas causas de pedir coincidam com os pedidos já abordados na ação coletiva em tramitação. Essa ação, que segue em litígio mesmo após o acordo de R$ 37,5 bilhões firmado há quatro anos, visa estabelecer padrões indenizatórios para os chamados direitos individuais homogêneos, ou seja, aqueles que dizem respeito a um grupo de pessoas atingidas pelas mesmas circunstâncias, mas que possuem prejuízos individualmente mensuráveis.

De acordo com a manifestação do MPMG, citada na decisão, a medida busca evitar decisões conflitantes entre os milhares de processos espalhados pelos tribunais mineiros e garantir maior fundamentação para as sentenças. Nas palavras da promotora Shirley Machado de Oliveira, “é necessário ponderar sobre o efeito automático da suspensão, o qual incidiria sobre todas as ações individuais em curso, cuja causa de pedir guarde coincidência com a demanda coletiva”.

Direito de Escolha e Eficiência Judicial

Mesmo com a suspensão automática das ações individuais, a decisão preserva o direito de as vítimas optarem pela continuidade de seus processos, caso entendam que seu caso específico exige uma tramitação separada. O juiz baseou-se no artigo 104 do Código de Defesa do Consumidor para justificar que ações individuais podem seguir em paralelo à ação coletiva quando houver interesse justificado, em respeito ao princípio constitucional de acesso à justiça.

A decisão também destaca o impacto positivo da suspensão para a eficiência judicial. Segundo argumenta o MPMG, além de prevenir a sobrecarga no Judiciário, a medida contribui para a redução de custos processuais e para que as vítimas possam ser atendidas com maior celeridade. Outro objetivo da iniciativa é assegurar que as decisões sejam uniformes, evitando assim situações em que vítimas em condições similares recebam tratamentos judiciais distintos.

A tragédia de Brumadinho deixou 270 mortos e causou danos ambientais e sociais em diversos municípios, além de afetar diretamente a vida de milhares de famílias. Até agora, partes dos interesses coletivos e difusos foram resolvidas por meio do acordo bilionário firmado entre a Vale e as autoridades em 2021. Contudo, os direitos individuais continuam sendo objeto de disputas judiciais.

O pedido de suspensão dos processos individuais partiu das Instituições de Justiça como forma de priorizar os litígios coletivos. Elas argumentaram que a existência de padrões indenizatórios definidos na ação coletiva poderia servir de base para a resolução mais rápida e efetiva de milhares de casos.

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