Lei Rouanet faz parte da Congonhas pós-mineração, diz secretário

Cinco projetos homologados nos últimos três meses pelo Ministério da Cultura já somam mais de R$ 61 milhões autorizados
Congonhas
Congonhas: Rouanet com olho no pós-mineração. Foto: Hugo Cordeiro/Prefeitura de Congonhas

A captação autorizada via Lei Rouanet de dezenas de milhões de reais para projetos culturais em Congonhas faz parte do planejamento da cidade para o cenário pós-mineração, disse o secretário de Cultura da cidade, Pedro Cordeiro, em entrevista exclusiva a O Fator.

Como mostramos, cinco projetos em Congonhas homologados nos últimos três meses pelo Ministério da Cultura já somam mais de R$ 61 milhões em captações autorizadas. Quatro deles têm envolvimento direito da prefeitura. O quinto, para conservação e melhorias no Santuário do Senhor Bom Jesus de Matozinhos, é da basílica local.

“Essas ações da lei Rouanet fazem parte de uma engrenagem maior, aumentar o tempo de permanência do turista e também a gente começar a trabalhar a questão do pós-mineração”, disse Cordeiro. “A mineração só tem uma safra. E a gente não sabe o que pode acontecer. Pode ser que a tecnologia desenvolva, daqui a uns anos, uma matéria-prima que substitua o minério. O que vai ser dessa cidade daqui a 50, 100 anos?”, acrescentou.

O projeto mais recente, aprovado nesta segunda (4), é para a digitalização em 3D dos 12 Profetas atribuídos a Aleijadinho. A prefeitura também busca recursos para os planos quadrienais do Parque Natural da Romaria e do Museu de Congonhas, e ainda para expandir esse mesmo museu.

“Daqui a dois anos a gente quer ter um grande complexo turístico aqui pra aumentar a permanência do turista”, contou Cordeiro.

Esse é um desafio pelo fato de Congonhas ficar entre Ouro Preto, São João del-Rei e Tiradentes, cidades com hotéis e pousadas mais conhecidos.

“Precisamos ter restaurantes de qualidade, atrativos turísticos, né? E também com hospedagem, porque grande parte da hospedagem da cidade era consumida pelos trabalhadores das mineradoras”.

Enquanto essa infraestrutura não vem, a prefeitura aposta na captação via Rouanet para turbinar projetos culturais.

“A gente está muito feliz [com a aprovação dos projetos pelo Ministério da Cultura para captar os recursos] porque a gente está tentando profissionalizar mais a gestão pública e cultural. Às vezes as empresas chegam no fim do ano e podem destinar recursos em vez pagar ao governo o Imposto de Renda, mas não tem cidades com projetos pra elas canalizarem esses recursos. Então, a gente não quer perder esse tempo, sabe?”.

A prefeitura tem apostado no slogan de “Capital Mineira da Fé” para atrair turismo religioso o ano inteiro.

“A gente não tem o casario de Ouro Preto, mas tem a questão da fé e da devoção que ninguém em Minas bate na gente. Então é a gente explorar os potenciais, a essência da cidade, a vocação da cidade”, acrescentou Cordeiro.

A autorização para captar via Lei Rouanet não fornece dinheiro. A prefeitura, ou o instituto parceiro encarregado de captar os recursos, ainda precisa encontrar no mercado empresas e pessoas dispostas a bancar o projeto.

Pelos dados da plataforma Salic Comparar, do Ministério da Cultura, até hoje apenas o projeto da expansão do Museu de Congonhas já captou recursos – pouco mais de R$ 741 mil, ou 3% do autorizado.

Leia mais:

Cultura autoriza R$ 14,2 milhões em Lei Rouanet para projetos de BH

Leia também:

Prefeito de Sabará prepara saída do Republicanos após desgaste interno

STF marca, pela terceira vez, julgamento sobre reabertura de inquérito contra deputado mineiro

CNN encerra 2025 como maior canal de notícias do país

Veja os Stories em @OFatorOficial. Acesse