A lista de documentos colocados em sigilo na semana passada pela Companhia de Desenvolvimento Econômico de Minas Gerais (Codemig) tem um material de “projeções financeiras” elaborado pela consultoria norte-americana Goldman Sachs. Em maio, a consultoria norte-americana foi contratada pela estatal mineira para produzir um laudo de avaliação a fim de apontar valores de referência para uma eventual federalização da Codemig no âmbito da renegociação da dívida mineira com a União.
O laudo da Goldman Sachs tinha previsão de ficar pronto neste mês. Procurada por O Fator, a Companhia de Desenvolvimento de Minas Gerais (Codemge), controladora da Codemig, não confirmou se a avaliação já foi concluída. A empresa também não detalhou o teor do documento posto em sigilo, limitando-se a dizer que se trata de um material relacionado à “estratégia empresarial”.
Ainda conforme a Codemge, a decisão foi tomada em razão da “natureza estratégica” do documento.
A planilha que lista os documentos sigilosos da Codemig foi revelada por O Fator na sexta-feira (10). A relação contempla, por exemplo, um documento relacionado à sociedade com a Companhia Brasileira de Metalurgia e Mineração (CBMM). As duas empresas atuam em parceria na exploração do nióbio presente no solo de Araxá, no Alto Paranaíba.
O contrato entre Codemig e CBMM vence em 2032. Os trâmites para a renovação, já iniciados, são vistos como importantes para manter o valor de mercado da empresa pública com vistas a um eventual repasse ao governo federal.
Goldman é aposta em cenário com federalização
A federalização da Codemig é cogitada no âmbito do Programa de Pleno Pagamento das Dívidas dos Estados (Propag). Caso a União aceite receber a empresa como forma de abater o passivo mineiro, o tamanho do desconto será definido a partir de laudo supervisionado pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).
A contratação da Goldman Sachs, nesse sentido, foi pensada pela Codemig como forma de evitar que a empresa participasse das negociações sem ter estimativas quanto ao próprio valor de mercado. O novo decreto do Propag, aliás, permite que as ofertas de federalização sejam encaminhadas com exames encomendados pelos estados.
A Goldman Sachs fez serviço semelhante para a Codemig em 2022. À época, a multinacional recebeu R$ 300 mil pela tarefa.
