Minas mantém liderança na geração dos royalties de mineração

Estado ficou com quase a metade dos R$ 95,76 milhões repartidos em julho e, ao lado do Pará, puxa a produção nacional
Foto mostra local de extração mineral
Minas lidera ranking de distribuição dos recursos da Cfem. Foto: José Cruz/Agência Brasil

O mais recente relatório da distribuição da Contribuição Financeira sobre a Exploração Mineral (Cfem), com os números de julho, divulgados pela Agência Nacional de Mineração (ANM), confirmou, mais uma vez, a liderança de Minas Gerais na mineração brasileira.

Em julho, os estados repartiram R$ 95,76 oriundos da Cfem. Minas ficou com quase a metade – R$ 44,46 milhões. O valor é R$ 7,8 milhões superior que o encaminhado ao Pará, segundo colocado no ranking. A receita mensal do estado do Norte por causa da contribuição foi de R$ 36,66 milhões.

Juntos, Minas e Pará ficaram com 85% da fatia repartida entre os estados. O restante foi para as outras unidades federativas e o Distrito Federal. No mês passado, as menores porções ficaram com o Distrito Federal (R$ 48,42 mil), Roraima (R$ 2,76 mil) e Acre, que recebeu apenas R$ 1,02 mil.

Conexão Norte-Sudeste

Na divisão dos recursos entre os municípios, a maior parte da receita também ficou com os municípios de Minas e do Pará. As cidades paraenses de Canaã dos Carajá e Paraupebas lideram o ranking. Em julho, Canaã recebeu R$ 63,17 milhões; Paraupebas, R$ 46,02 milhões.

Em Minas, a liderança foi de Conceição do Mato Dentro, município de 23 mil habitantes localizado a cerca de 180 quilômetros de Belo Horizonte. A Cfem rendeu R$ 21,07 milhões à cidade no mês passado. A maior parte do montante é proveniente da atuação da Anglo American, que explora extensa jazida de minério de ferro no município.

Recentemente, a Prefeitura de Conceição do Mato Dentro assinou com a Anglo American protocolo de intenções para o investimento de R$ 500 milhões pela mineradora em áreas como saúde, educação e infraestrutura.

Em seguida, o ranking da Cfem apresenta Nova Lima, com arrecadação de R$ 18,36 milhões em julho, e Congonhas, com R$ 15,36 milhões. Todos os municípios ordenados até o 15° lugar da tabela pertencem a Minas ou ao Pará.

A primeira localidade fora do eixo Minas-Pará a aparecer no ranking é Alto Horizonte, cidade goiana que, em julho, recebeu R$ 3,69 milhões. A partir daí, a classificação de municípios que receberam mais de R$ 1 milhão da Cfem no mês passado passa a apresentar representantes dos estados da Bahia (cinco), Goiás (quatro), Mato Grosso (dois), Amazonas (um) e Alagoas (um).

No ranking dos 43 municípios com receita de Cfem superior a R$ 1 milhão por mês, 21 são mineiros e nove são paraenses. A diferença de perfil entre um estado e outro está no grau de concentração dos recursos. Em Minas, a receita média das 21 cidades é de R$ 7,93 milhões, enquanto no Pará a média de arrecadação é de R$ 15,77 milhões.

A diversidade de Minas se faz presente no número de empresas associadas às entidades que representam as empresas de mineração em cada em estado. Só o Sindicato das Indústria Mineral no Estado de Minas Gerais (Sindiextra) tem 126 associados. Desses, 39 são do setor de mineração de ferro.

O segundo maior contingente, com 33 associados, é o das empresas que fazem a extração de agregados (brita e areia, entre outros materiais utilizados pela construção civil).

No Norte do país, o Sindicato das Indústria Minerais do Estado do Pará é formado por 13 empresas associadas, basicamente de quatro setores da mineração: minério de ferro, ouro, cobre e alumínio.

No conjunto, os nove municípios paraenses com Cfem superior a R$ 1 milhão receberam R$ 141,96 milhões. Os mineiros recebem um pouco mais: R$ 166,65 milhões.

Entre os últimos

Da mesma forma que Cfem faz a diferença entre os municípios que mais arrecadam, significando a injeção de um volume considerável de recursos em sua receita mensal, para outros, os royalties da mineração não têm impacto financeiro.

É o caso de Uibaí, município localizado a cerca de 500 quilômetros de Salvador e parte da Região Central da Bahia. Em julho, a cidade recebeu R$ 30,20 de Cfem, menor valor entre os 3.941 municípios que participaram do rateio.

Da mesma forma que lidera entre as cidades com as maiores receitas provenientes da Cfem, Minas também encabeça a relação de localidades com as menores fatias. Dos 10 municípios que menos arrecadam, quatro estão em solo mineiro: Seritinga, Rio Pardo de Minas, Japaraíba e Central de Minas. O ranking “negativo” ainda tem três representantes da Bahia (Uibaí, Prado e Poções). Paraná, Espírito Santo e Alagoas, por sua vez, têm um município cada na lista.

O ferro e o minério de ferro continuam sendo os maiores geradores dos royalties da Cfem, respondendo por R$ 450,96 milhões em julho. O cobre, terceiro no ranking, gerou R$ 32 milhões.

No acumulado do ano, estas posições se mantêm, com ferro e minério de ferro na liderança, tendo produzido, juntos, arrecadação de R$ 2,99 bilhões. O cobre, dono do terceiro posto, gerou R$ 250,93 milhões.

Municípios afetados também recebem

O recursos da Cfem correspondem a um percentual cobrado sobre a receita da exploração mineral. Do valor total arrecadado, 10% vai para a União, 15% para o estado onde é extraída a substância mineral e 60% para os município que abrigam as jazidas. Outros 15% vão para cidades que, embora não sediem a extração, são impactados pela atividade. São consideradas afetadas localidades que possuem estruturas como ferrovias, portos e minerodutos.

Os últimos dados referentes à parcela da Cfem encaminhada a municípios mineiros considerados afetados são de abril, compilados pela ANM. Segundo as estatísticas, cidades do estado que se encaixam nessa categoria receberam R$ 26,11 milhões.

Na Agência Nacional de Mineração, o último número disponível, de abril deste ano, indica que R$ 26,11 milhões foram distribuídos entre os municípios mineiros afetados. O primeiro neste ranking foi Governador Valadares, no Leste de Minas com R$ 1,56 milhão, valor pago à cidade devido à presença de ferrovia e estrutura de mineração de minério de ferro, calcário dolomítico, granito, gema, gnaisse, pedra são tomé e pgmatito.

Em segundo lugar está Morro do Pilar, na Região Central, com R$ 1,46 milhão, por mineroduto e estrutura no transporte e beneficiamento de minério de ferro.

Os recursos da Cfem não podem ser aplicados em pagamento de dívidas ou de pessoal, mas apenas em projetos que, direta ou indiretamente, melhorem a infraestrutura do município, sua qualidade ambiental e seus índices de saúde e educação.

Municípios que recebem mais de R$ 1 milhão da Cfem

PosiçãoEstadoMunicípioValor (R$ milhões)
1PACanaã dos Carajás63,173
2PAParaupebas46,029
3MGConceição do Mato Dentro21,075
4MGNova Lima18,364
5MGCongonhas15,886
6PAMarabá15,593
7MGMariana14,542
8MGItabira14,306
9MGItabirito14,239
10MGSão Gonçalo do Rio Abaixo11,244
11MGBarão de Cocais8,971
12MGParacatu8,554
13MGOuro Preto7,901
14MGBrumadinho5,660
15MGItatiaiuçu5,635
16PAParagominas4,008
17GOAlto Horizonte3,699
18MGSabará3,523
19MGBelo Vale4,553
20PACurionópolis4,475
21MGSanta Bárbara2,868
22PAItaituba2,866
23BAJacobina2,569
24PAJuriti2,213
25MGAntônio Dias2,146
26MGBela Vista de Minas2,004
27PATerra Santa1,894
28PAAgua Azul do Norte1,715
29MGSarzedo1,697
30ALCraibas1,546
31MTAripuana1,491
32MTNobres1,392
33BAItagiba1,209
34GOCatalão1,160
35BAJaguarari1,112
36MGAraxá1,104
37MGSão Joaquim de Bicas1,082
38BASanta Luz1,074
39GOBarro Alto1,069
40MGTapira1,033
41GOOuvidor1,013
42BABarrocas1,007
43AMPresidente Figueiredo1,004
Fonte: Agência Nacional de Mineração/dados de julho de 2025

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