Dos oito municípios mineiros avaliados no Ranking do Saneamento de 2026, publicado pelo Instituto Trata Brasil em parceria com a GO Associados, dois figuram entre os 20 mais bem colocados do país: Uberaba (Triângulo), na 11ª posição, e Montes Claros (Norte), na 14ª.
Na outra ponta, Belo Horizonte aparece na 53ª colocação — queda de 10 posições em relação à edição anterior — e registra o pior indicador de perdas de água por ligação entre todas as 27 capitais. Os resultados foram divulgados nesta quarta-feira (18).
O levantamento, que avalia os 100 municípios mais populosos do Brasil com base em dados do Sistema Nacional de Informações em Saneamento Básico (Sinisa) referentes a 2024, utiliza nove indicadores distribuídos em três dimensões: nível de atendimento (água, esgoto e tratamento), melhoria do atendimento (investimentos) e nível de eficiência (perdas de água). A nota final de cada município varia de zero a 10.
Décima primeira colocada no ranking geral, Uberaba é a cidade mineira mais bem posicionada. No levantamento anterior, o município ficou em 9°.
Segundo o estudo, Uberaba, que tem os serviços de saneamento operados pela Companhia de Desenvolvimento e Administração da Área Urbana(Codau), apresenta indicadores que se aproximam da universalização.
O atendimento total de água é de 99,65%, enquanto a coleta total de esgoto chega a 99,11%. O tratamento de esgoto referido à água consumida é de 93%, um dos mais altos entre os 100 municípios avaliados. As perdas na distribuição de água ficaram em 32,52%, acima da meta de 25% prevista pela Portaria 490/2021, mas inferiores à média nacional de 39,5%.
O investimento total no município entre 2020 e 2024 foi de R$ 113,46 milhões, o que representa R$ 64,08 por habitante ao ano — abaixo dos R$ 225 necessários para a universalização. Contudo, como Uberaba já apresenta indicadores próximos das metas, o volume pode ser compatível com a manutenção dos serviços.
Já Montes Claros, subiu duas posições e ocupa a 14ª colocação, resultado que coloca a localidade entre os 20 municípios mais bem avaliados do país. A cidade é operada pela Companhia de Saneamento de Minas Gerais (Copasa) e se destaca pelo volume de investimentos: R$ 519,67 milhões entre 2020 e 2024, o que equivale a R$ 239,30 por habitante ao ano.
Esse valor supera o patamar de R$ 225 estimado como necessário para a universalização, o que faz de Montes Claros um dos municípios que mais investiram proporcionalmente entre os 20 melhores do ranking.
Os indicadores de atendimento, contudo, ainda não atingem os patamares de universalização. O abastecimento total de água é de 82,70% — o menor entre os 20 melhores colocados. A coleta total de esgoto está em 85,22%, também abaixo da meta de 90% do Marco Legal do Saneamento. O tratamento de esgoto é de 81,25%.
O indicador de perdas por ligação em Montes Claros é de 219,85 litros por ligação ao dia, próximo da meta de 216 litros estabelecida por portaria federal de 2021. As perdas na distribuição são de 39,70%, próximas da média nacional.
Quatro municípios paulistas atingem nota máxima
Pela primeira vez na história do ranking, quatro municípios alcançaram a pontuação máxima: Franca, São José do Rio Preto, Campinas e Santos, todos no estado de São Paulo. Os dados indicam que, em 2024, essas cidades apresentavam níveis de atendimento considerados universalizados, conforme o Novo Marco Legal do Saneamento Básico ), além de perdas de água compatíveis com os parâmetros da portaria sobre a ligação de água.
No cenário nacional, os números mostram avanços no abastecimento de água — a média de atendimento total nos 100 maiores municípios atingiu 93,55% —, mas o esgotamento sanitário segue como o principal gargalo. A coleta total de esgoto apresentou média de 76,97%, e o tratamento ficou em 64,42%. O investimento médio anual necessário para a universalização foi estimado em R$ 225 por habitante, patamar que a maioria dos municípios analisados não atinge.
Uberlândia cai dez posições
Uberlândia, o segundo maior município de Minas Gerais, registrou a queda mais acentuada entre os municípios mineiros: passou da 11ª para a 21ª posição, uma retração de 10 colocações. A cidade é operada pelo Departamento Municipal de Água e Esgoto (Dmae).
Os indicadores de atendimento da cidade permanecem em patamares elevados: 98,05% de abastecimento total de água e 97,01% de coleta total de esgoto. O tratamento de esgoto é de 80,47%. As perdas na distribuição ficaram em 21,64%, dentro da meta de 25%.
O investimento médio por habitante ao ano, porém, foi de R$ 69,89 — entre os mais baixos da faixa dos 20 primeiros colocados do ranking anterior. Uberlândia investiu R$ 263,82 milhões no período de 2020 a 2024.
Belo Horizonte cai posições
Belo Horizonte, operada pela Copasa, caiu da 43ª para a 53ª posição — queda de dez colocações e o pior desempenho relativo entre os municípios mineiros. A capital apresenta indicadores contraditórios: atendimento de água de 98,57% e coleta de esgoto de 99,41%, ambos acima da média nacional. O tratamento de esgoto, porém, ficou em 75,95%, abaixo da meta de 80%.
O dado que mais compromete a posição de Belo Horizonte é o indicador de perdas de água. A capital mineira registra 68,29% de perdas na distribuição — quase o triplo da meta de 25% da portaria de 2021 e a taxa mais alta entre todas as 27 capitais brasileiras. As perdas por ligação são de 1.585,85 litros por ligação ao dia, ocupando a 98ª posição entre os 100 municípios avaliados nesse quesito — atrás apenas de Salvador (1.710,38 L/lig./dia) e Nova Iguaçu (15.878,96 L/lig./dia).
O investimento médio por habitante ao ano em Belo Horizonte foi de R$ 77,24, com um total de R$ 933,20 milhões entre 2020 e 2024. O valor está 66% abaixo do patamar de R$ 225 por habitante apontado como necessário à universalização.
Na evolução do atendimento de água entre as capitais, Belo Horizonte teve crescimento de 3,15 pontos percentuais entre 2020 e 2024, passando de 95,42% para 98,57%.
Mais cidades
Além dos cinco municípios detalhados, o Ranking traz outros três municípios mineiros. Betim, na Região Metropolitana, foi o que mais subiu no estado, com ganho de 13 posições — passou da 65ª para a 52ª colocação. A cidade, operada pela Copasa, tem 92,91% de atendimento de água e 86,32% de coleta de esgoto. O tratamento de esgoto é de 73,25%.
Juiz de Fora (Zona da Mata) subiu 12 posições (de 70ª para 58ª) e se destaca por ter 100% de atendimento tanto de água quanto de coleta de esgoto — um dos poucos municípios do Ranking a atingir essa marca nos dois indicadores. O tratamento de esgoto, contudo, é de 24,90%, o que revela que a cidade coleta, mas trata proporcionalmente pouco do esgoto gerado. O município é operado pela Companhia de Saneamento Municipal (Cesama).
Contagem aparece na 59ª posição (subiu cinco em relação à edição anterior), com 88,78% de atendimento de água e 86,30% de coleta de esgoto. Ribeirão das Neves (Região Metropolitana) ocupa a 65ª posição (estava uma posição abaixo), com 79,41% de atendimento de água e 75,44% de coleta de esgoto. Ambos são operados pela Copasa.