Minas perde 10% dos operários da construção em um ano e custo para contratar sobe 9%

Boletim da Fiemg associa perda de ritmo no estado ao encarecimento do crédito, juros altos e menor avanço dos investimentos
Canteiro de obras
Construção civil encerrou 2025 com menos trabalhadores e mais custos, diz Fiemg. Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil

Minas Gerais encerrou 2025 com menos trabalhadores na construção civil e custo maior para contratar. A população ocupada no setor caiu 10,5% na comparação com 2024, enquanto o custo da mão de obra subiu 8,98% em 12 meses até dezembro, segundo a Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg).

As informações constam no Boletim da Construção da Fiemg, divulgado na quinta-feira (2).

A queda do emprego em Minas foi mais intensa que a média nacional. No Brasil, a população ocupada na construção recuou 0,3% em 2025, também na comparação anual. No quarto trimestre, a queda estadual foi de 10,9% contra 2,9% no país.

O boletim aponta que o estado chegou ao fim do ano com perda mais forte de dinamismo, em um ambiente de crédito mais caro, juros elevados e desaceleração dos investimentos.

Ao mesmo tempo, o Índice Nacional de Custo da Construção, Disponibilidade Interna (INCC-DI) acumulou alta de 5,92% em 12 meses até dezembro de 2025.

O aumento de 8,98% do custo da mão de obra está acima do crescimento de 3,79% nos preços de materiais e serviços. Segundo a Fiemg, reajustes salariais em funções como eletricistas, encarregados, armadores e pedreiros mantiveram a pressão sobre os gastos mesmo com a redução do número de ocupados.

O dado não é contraditório. O setor encolheu em volume de atividade e reduziu postos de trabalho, mas continuou com demanda para a contratação de profissionais em funções específicas, conforme aponta o boletim.

O enfraquecimento aparece também no Produto Interno Bruto (PIB) da construção em Minas. No acumulado de 2025, o setor recuou 2,2% no estado, enquanto o país registrou alta de 0,5%. No quarto trimestre, na comparação com o trimestre anterior com ajuste sazonal, a construção caiu 2,2% em Minas e 2,3% no Brasil.

Cadeia produtiva também é impactada

A desaceleração também alcançou a cadeia produtiva. No acumulado até dezembro de 2025, a fabricação de produtos de minerais não metálicos caiu 6,2%, enquanto a de produtos de metal, exceto máquinas e equipamentos, recuou 4,2%, indicando menor demanda por insumos ligados ao setor.

Mesmo assim, alguns indicadores ligados ao consumo e à habitação seguiram em alta. Em Minas, as vendas de materiais de construção cresceram 3,9% em dezembro ante o mesmo mês de 2024 e avançaram 2% no acumulado de 12 meses. No mercado imobiliário, o estado vendeu 21.516 apartamentos novos em 2025, com valor global de vendas de R$ 14,5 bilhões.

Previsões para 2026

Para 2026, a Fiemg cita projeções da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC) que apontam crescimento entre 2% e 2,7% para o setor no país, apoiado no início do ciclo de redução dos juros, na ampliação do crédito habitacional e na continuidade dos investimentos em infraestrutura.

Ainda assim, o boletim ressalta que o setor seguirá “condicionado a fatores já limitadores, como custos elevados, restrições de mão de obra e incertezas macroeconômicas, o que sugere uma recuperação gradual, sem retorno imediato aos níveis de crescimento observados em 2024”.

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