Apesar da indefinição sobre uma aliança para o 1º turno de 2026, o deputado federal Nikolas Ferreira (PL) e o vice-governador Mateus Simões (PSD) dividiram palanque nesta quinta-feira (19), em Juiz de Fora, na Zona da Mata, em um gesto político com recado claro. Ao anunciar R$ 14 milhões para obras no Distrito Industrial, a dupla adotou discurso alinhado contra a esquerda e direcionou críticas à gestão municipal, sem a presença da prefeita Margarida Salomão (PT), que não foi convidada para o ato.
O arranjo eleitoral da direita em Minas ainda é incerto. O PL trabalha para garantir palanque ao senador Flávio Bolsonaro, sucessor direto de Jair Bolsonaro, na disputa presidencial e defende a composição com Romeu Zema (Novo) como candidato a vice-presidente.
Para a “dobradinha” dar certo, no entanto, é necessário que o governador de Minas desista da candidatura ao Palácio do Planalto.
E o desenho nacional impacta diretamente o cenário estadual. Se a corrida à Brasília ficar dividida, a estadual também ficará. Pelo menos no 1º turno, com PSD e PL disputando forças e lançando candidatos próprios.
Para o 2º turno, porém, a expectativa dos dois grupos é de alinhamento. Justamente por isso, o tom adotado em Juiz de Fora foi de convergência.
Afinal, na cidade da Zona da Mata o rival é o mesmo: o campo da esquerda, comandado no município pela prefeita Margarida, que foi cotada a candidata ao governo de Minas para formar palanque para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, mas declinou.
Críticas à gestão municipal
No evento, Nikolas afirmou que espera uma “retomada” do município e disse que “Juiz de Fora já foi Manchester de Minas Gerais”, comparando a cidade ao polo industrial britânico. Ele citou, ainda, a queda no PIB per capita de JF e a perda de dinamismo econômico da cidade.
“A baixa produtividade no sentido de investimento na indústria tem deixado a desejar”, afirmou o deputado, ao atribuir o cenário ao que chamou de ausência do poder público.
Mateus Simões reforçou a parceria. Chamou Nikolas de representante legítimo das demandas locais e afirmou que o governo estadual atenderia aos pedidos levados pelo parlamentar.
“Esses 14 milhões vêm para suprir uma obra que não é nossa. Quem deveria fazer é a prefeitura. Mas o problema é de todo mundo. Então, a gente vai pôr o dinheiro. Se for necessário, a gente executa”, declarou o vice-governador.
Agenda
Os recursos anunciados serão destinados a obras de drenagem, pavimentação e iluminação no Distrito Industrial, na Avenida Simão Firjam. Ainda nesta quinta-feira, a dupla seguiu para Ponte Nova, para anúncio de investimentos no anel viário. Na sexta-feira (20), a agenda inclui São João del Rei, com novo anúncio de recursos para intervenções viárias.
PL quer evitar cenário de 2022
Minas é vista pelo PL como estado decisivo no xadrez nacional. Em 2022, o então presidente Jair Bolsonaro foi derrotado no território mineiro por margem apertada: 49,80% dos votos válidos, contra 50,2% do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
A leitura interna da legenda é de que a ausência de um palanque unificado desde o 1º turno contribuiu para o resultado. À época, o governador Romeu Zema declarou apoio a Bolsonaro apenas na etapa final da disputa.
Para 2026, o objetivo é evitar a fragmentação.