Nove a cada dez escolas municipais estão fechadas ou parcialmente paralisadas, aponta levantamento da PBH

Dados internos do Executivo municipal indicam aumento da adesão a movimento grevista, que cobra aumento salarial
Desde o início da greve, em 9 de junho, as manifestações em frente à PBH têm sido frequentes. Foto: Sind-Rede/BH

O número de escolas que fecharam as portas e aderiram totalmente à greve dos trabalhadores da educação da rede municipal de Belo Horizonte apresentou uma explosão de sexta-feira (27) para segunda-feira (30), com salto de oito vezes na quantidade de unidades que interromperam as atividades. Como reflexo, o movimento ganhou corpo. Dados internos da Prefeitura de BH, aos quais O Fator teve acesso, indicam que nove a cada 10 unidades não operam normalmente. Representantes dos grevistas atribuem o aumento da adesão à tensão firmada entre Executivo municipal e professores.

O levantamento mostra que, nessa segunda, 287 das 324 escolas da capital tiveram as atividades comprometidas. Desse total, 91 estavam totalmente paralisadas e 196 funcionavam parcialmente. Apenas 37 escolas operam normalmente.

O salto pode ser visto no número de unidades totalmente paralisadas. Se, ontem, 91 instituições passaram o dia com as portas fechadas, na sexta-feira o número era de 11.

O agravamento foi verificado após uma série de medidas adotadas pela prefeitura, que acirraram o embate com a categoria, conforme avalia a diretora do Sindicato dos Trabalhadores em Educação da Rede Pública Municipal de Belo Horizonte (Sind-Rede/BH), Vanessa Portugal.

Na sexta-feira (27), o prefeito Álvaro Damião (União Brasil) tentou judicializar o movimento, determinou o corte de ponto dos grevistas, corroborado pela Procuradoria-Geral do Município, e impôs a abertura das escolas para fornecimento de refeição, inclusive aos sábados (28), determinação não acatada pela maioria das instituições de ensino. “Foi um desrespeito aos trabalhadores”, diz Portugal.

O acionamento do Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG) por parte da prefeitura ocorreu em prol da concessão de uma liminar para suspender a paralisação. O pleito foi negado pelo desembargador Leopoldo Mameluque, que determinou a realização de uma audiência de conciliação entre a administração municipal e o sindicato que representa os trabalhadores descontentes. O encontro foi agendado para esta quarta-feira (2).

Evolução da greve em números

  • Escolas totalmente paralisadas: 11 em 27 de junho; 91 em 30 de junho;
  • Escolas parcialmente paralisadas: 253 em 27 de junho; 196 em 30 de junho;
  • Escolas com funcionamento normal: 60 em 27 de junho; 37 em 30 de junho.

Embate crescente

A primeira paralisação foi em 6 de junho, com início da greve no dia 9 do mesmo mês. Os trabalhadores pedem reajuste dos vencimentos, recomposição do quadro de profissionais e valorização da carreira. A prefeitura afirma que os professores recebem salário acima do piso da categoria e ofereceu recomposição de 2,49%, alegando que o índice configura aumento de salário. Os grevistas, por seu turno, reivindicam reajuste de 6,27%.

Nas redes sociais, os trabalhadores convocam as famílias de alunos para pressionar o prefeito. No sábado (28), um lanche coletivo com recreação para as crianças foi realizado no Parque Municipal. Dezenas de pais levaram os filhos.

As manifestações na porta da prefeitura também têm sido constantes. Nesta terça (1°), grevistas se concentraram novamente em frente à sede do Executivo Municipal e pedem melhores condições de trabalho e aumento salarial. Eles criticam a secretária de Educação, Natália Araújo, e rechaçam a convocação dos trabalhadores terceirizados, realizada por mensagem de texto e ligação na sexta à noite, para servir refeições nas escolas.

O Fator pediu um posicionamento à Prefeitura de BH sobre o aumento do número de escolas impactadas pela greve. Não houve manifestação até o fechamento desta reportagem, mas o espaço segue aberto.

Leia também:

Moraes nega transferência de presídio pedida por condenada pelo 8/1 detida no Aeroporto de Confins

Juíza manda ação por peculato dos ‘fura-filas’ da vacina para o TJMG

Juiz manda secretários de prefeitura mineira devolverem 13º salário considerado ilegal

Veja os Stories em @OFatorOficial. Acesse