A prefeita de Contagem, Marília Campos (PT), viu sua posição de resistência ao Rodoanel Metropolitano ficar mais isolada após a Prefeitura de Betim, até então aliada na oposição ao projeto, fechar acordo com o governo de Minas. O novo cenário ficou evidente durante o Fórum de Mobilidade Urbana da TV Band Minas, quando Marília e o secretário de Estado de Infraestrutura, Pedro Bruno, protagonizaram um embate sobre o tema.
Pelo que O Fator apurou, o prefeito de Betim, Heron Guimarães (União), aderiu ao projeto após a Secretaria de Estado de Infraestrutura (Seinfra) promover alterações no traçado que atravessa o município. Com a mudança, Contagem passou a ser a única cidade da região a manter objeções à obra, que, na última semana, conseguiu ter a licença reativada após nova decisão do Tribunal Regional Federal (TRF-6). O empreendimento havia sido suspenso depois que a Justiça Federal em Minas aceitou uma ação que exigia consulta às comunidades quilombolas da região.
A própria Marília Campos explicitou, durante o painel, que a mudança de posição de Betim decorreu de concessões do governo estadual. “Se Betim hoje não está mais nessa situação, não é porque sentou com o secretário e teve informação, é porque o governo do estado alterou o traçado em Betim”, afirmou.
A prefeita ressaltou que o novo desenho do projeto retirou o fluxo de veículos pesados do interior do município vizinho. “O traçado do Rodoanel em Betim não passa rasgando o Betim. Ele não passa mais dentro de Betim. Houve alteração”, disse. E questionou: “Existe essa possibilidade para Contagem?”
A prefeita condicionou a retomada das negociações à disposição do governo estadual de modificar o projeto. “Se for só uma reunião para eu me informar, para eu saber qual é o propósito do estado, eu não irei. Agora, existe disposição para alterar o traçado? Se existir, estou lá nessa reunião no dia que vocês marcarem”, declarou.
A chefe do Executivo contagense afirmou que sua preocupação é evitar que o tráfego de carretas e caminhões seja direcionado para dentro do município. “Eu não tenho pesadelo com o Rodoanel. Eu tenho pesadelo com as tragédias que ocorrem no Anel Rodoviário. Eu não quero que esse pesadelo ocorra em Contagem”, disse. E concluiu: “Se mudar também o traçado em Contagem, estamos dentro.”
Sinalizações
O secretário Pedro Bruno rebateu as críticas e acenou com a possibilidade de diálogo. “Prefeita, tem que amolecer o coração. É claro que existe espaço e diálogo. Um empreendimento de 70 quilômetros dentro de uma região altamente conturbada como é a Região Metropolitana tem que necessariamente fazer ajustes”, afirmou.
Bruno argumentou que o objetivo do Rodoanel é justamente retirar o tráfego pesado das vias urbanas de Contagem. “Eu quero é tirar o tráfego pesado de dentro de Contagem, não o contrário. É isso que o Rodoanel se propõe a fazer”, disse. O secretário comparou a obra à Avenida Maracanã, empreendimento viário construído em Contagem, para defender que grandes obras podem conviver com áreas urbanas.
Marília Campos contestou a comparação. “A Avenida Maracanã é trânsito local, não é trânsito de caminhões. É muito diferente comparar a Avenida Maracanã com o Rodoanel”, respondeu.
Apesar do embate, Marília Campos e Pedro Bruno mantêm boa relação. Após o encerramento do fórum, os dois se abraçaram nos bastidores. Participaram ainda do painel os prefeitos Heron Guimarães (União), de Betim, e João Marcelo (Cidadania), de Nova Lima, ambos favoráveis ao projeto.