O acordo gaúcho que pode alterar os planos de PT e PDT em Minas

Manobra nacional da cúpula petista respinga na disputa pelo Palácio Tiradentes e gera pressão sobre intenções de Alexandre Kalil
edinho silva e carlos lupi
Os dirigentes do PDT, Carlos Lupi, e do PT, Edinho Silva. Foto: Reprodução/Redes sociais Carlos Lupi

Petistas de Minas Gerais cobram reciprocidade do PDT no estado após a direção nacional do PT abrir mão de candidatura própria ao governo do Rio Grande do Sul para apoiar a pré-candidatura da pedetista Juliana Brizola.

O Fator apurou que a equação envolveria a desistência de Alexandre Kalil da disputa pelo Palácio Tiradentes para apoiar o senador Rodrigo Pacheco (PSD), que ainda não decidiu se será candidato.

A definição da cúpula petista sobre o Rio Grande do Sul foi tomada pelo Grupo de Trabalho Eleitoral (GTE), em reunião realizada na terça-feira (7). Como moeda de troca para a reciprocidade em Minas, o PT oferece ao ex-prefeito de Belo Horizonte a segunda vaga ao Senado Federal.

Ele, porém, tem afirmado categoricamente que não pretende recuar da intenção de disputar o Executivo estadual para concorrer a um cargo legislativo.

Kalil, aliás, conversa com a federação entre Rede Sustentabilidade e Psol para formar uma aliança na corrida ao Palácio TIradentes Em reunião ocorrida também na terça, em Brasília (DF), representantes das legendas e o pedetista ficaram otimistas com a possibilidade de um acordo, conforme revelou O Fator. No encontro, as partes indicaram disposição para uma composição, com avanço das tratativas para debates sobre questões programáticas.

Articulação por vice

Nos corredores da federação Psol-Rede, inclusive, a tese que ganha corpo é a indicação do deputado federal André Janones (Rede) para ocupar a vaga de vice na chapa de Kalil. A construção faz parte do pacote de negociações para consolidar a aliança em torno do nome do pedetista.

Diferentemente do cenário gaúcho, onde a direção nacional do PT pressiona por recuos, o comando federal do PDT sinalizou que dará autonomia para Kalil definir seus rumos em Minas Gerais, sem imposições sobre o palanque estadual.

Incerteza nos tribunais

O principal desafio para a concretização desses planos, contudo, é jurídico. O ex-prefeito da capital mineira tenta reverter uma condenação que suspendeu os direitos políticos dele por cinco anos.

A sentença, assinada pelo juiz Danilo Couto Lobato Bicalho, da 3ª Vara da Fazenda Pública Municipal, considerou que houve omissão de Kalil ao não cumprir uma ordem judicial para a desobstrução de vias públicas na região do Clube dos Caçadores, no bairro Mangabeiras.

Além da inelegibilidade, a decisão impõe restrições para contratos com o setor público e recebimento de incentivos fiscais.

Desde fevereiro, o processo tramita no Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG) sob recurso. Enquanto os desembargadores não dão a palavra final, a viabilidade da candidatura de Kalil permanece sob uma nuvem de incertezas jurídicas que pode afetar o cálculo de seus potenciais aliados.

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