O prefeito de Patos de Minas e presidente da Associação Mineira de Municípios (AMM), Luís Eduardo Falcão (Republicanos), convocou uma coletiva de imprensa para o início da tarde desta quinta-feira (2). No encontro, previsto para falar sobre investimentos na cidade, Falcão também vai se pronunciar sobre sua participação, ou não, nas eleições deste ano.
Até a tarde desta quarta-feira (1º), a avaliação predominante, mas não unânime, entre pessoas próximas ao prefeito é de que ele deixará o comando da prefeitura e da AMM para concorrer a um cargo eletivo. A função almejada, porém, ainda está em aberto.
O pronunciamento foi adiado duas vezes seguidas. Estava marcado para terça-feira (31), foi transferido para esta quarta e, depois, empurrado para a quinta. O motivo, segundo interlocutores ouvidos por O Fator, é que Falcão ainda não tomou a decisão.
Desde terça-feira, o prefeito está em Brasília (DF), onde tem se reunido com aliados e interlocutores políticos. Apesar da movimentação na capital federal, Falcão mantém os mais próximos à distância da decisão e comenta pouco sobre os próximos passos.
A cautela de Falcão sobre o tema tem chamado a atenção há algumas semanas, como já mostrou O Fator. Um dos pontos levados em conta é o contexto político da gestão em Patos de Minas. A vice-prefeita Sandra Gomes (PL) sinalizou alinhamento com grupos políticos adversários, como o do deputado federal Zé Vitor.
Sandra avalia uma candidatura à Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG), enquanto seu irmão, o vereador Gladston Gabriel (PL), deve disputar uma cadeira na Câmara dos Deputados. Se Falcão deixar a prefeitura, o Executivo de Patos de Minas passaria ao controle de quem já não está mais em seu campo político.
Há também a incerteza em torno do senador Cleitinho Azevedo (Republicanos). Falcão vem sendo cotado para integrar uma chapa encabeçada pelo senador, inclusive na condição de vice. Se Cleitinho optar por não disputar nenhum cargo, ou decidir compor chapa com outras legendas, Falcão seria levado a se lançar a deputado federal.
Por outro lado, permanecer na prefeitura também tem um custo. Falcão teme perder o momento político para se lançar, como já ocorreu com outros ex-presidentes da AMM. O mandato de Falcão em Patos de Minas, reeleito em 2024, vai até 2028.
Em março, integrantes da prefeitura chegaram a acreditar que o prefeito havia desistido de concorrer. À época, ele havia viajado à China, um sinal interpretado por aliados como incompatível com os preparativos de quem estaria prestes a deixar o cargo. O prazo legal para se desincompatibilizar e disputar as eleições vence no sábado (4).
Procurado por O Fator naquele momento, Falcão não descartou a candidatura, mas condicionou a decisão à preservação do que construiu. “Só entrarei em outro desafio se for para contribuir ainda mais e se mantivermos o legado construído até aqui”, afirmou. A coletiva de quinta-feira deve dar, enfim, uma resposta concreta a uma questão que já se arrasta por semanas — e que deixou aliados, adversários e a estrutura da própria prefeitura em compasso de espera.