O senador Carlos Viana (Podemos-MG) tem buscado espaço político com a CPMI do INSS em Brasília. No entanto, seus esforços esbarram na concorrência do noticiário em torno do julgamento de Jair Bolsonaro (PL) no Supremo Tribunal Federal (STF).
Em uma articulação que surpreendeu o governo federal e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), Viana conquistou a presidência do colegiado com uma costura de última hora construída juntamente com o PL e a oposição.
Na noite do dia em que foi eleito senador, porém, o noticiário nacional acabou dominado pela divulgação, nos autos de um processo no STF, de conversas e áudios envolvendo Bolsonaro, o deputado federal licenciado Eduardo Bolsonaro e o pastor Silas Malafaia.
Naquela noite, a CPMI sequer foi citada na escalada do Jornal Nacional, e houve apenas uma nota de 40 segundos, acompanhada de imagens, para registrar a instalação do colegiado. O episódio, ainda lembrado por aliados, deixou a sensação de que ele perdeu a chance de capitalizar sua vitória, algo que até hoje gera incômodo.
Agora, ao se dedicar à CPMI, Viana sente um déjà-vu. Mesmo após a aprovação da prisão preventiva de 21 pessoas envolvidas em fraudes contra o INSS, na noite de segunda-feira (2), a repercussão acabou ofuscada pelo início do julgamento de Bolsonaro no STF.
Um interlocutor confidenciou que há um sentimento de frustração, uma vez que os trabalhos do colegiado tendem a esbarrar no desenrolar do julgamento no Supremo. Na prática, há cobertura sobre o tema, mas aquém do esperado pelos integrantes do colegiado.
Com uma carreira construída como jornalista em Minas, uma fonte resume que Viana encara a situação com a ironia de quem conhece a dinâmica da cobertura política.
Como mostrou O Fator, a presidência da CPMI poderia reforçar uma estratégia mais ampla do senador mineiro: usar o colegiado como plataforma para recuperar protagonismo e se reposicionar politicamente de olho na reeleição em 2026.
Segundo fontes, o parlamentar estava sem uma bandeira ou espaço de destaque em um cenário que promete ser acirrado no próximo ano, e a comissão surgiu como oportunidade para reconquistar visibilidade.