O Secretário de Estado de Governo Marcelo Aro confirmou presença na reunião que será realizada entre o diretor-geral do Departamento de Edificações e Estradas de Rodagem (DER-MG), Rodrigo Tavares, e prefeitos do Sudoeeste de Minas, que ameaçam romper convênios com o Estado. O encontro para conter os ânimos dos gestores municipais, conforme adiantou O Fator, será em Passos, no Sul de Minas, nesta quarta-feira (30).
Nos bastidores, a participação de Aro é lida como uma forma de “marcar presença” nas negociações com os 24 prefeitos que compõem a Associação dos Municípios da Microrregião do Médio Rio Grande.
Bola dividida
Nas últimas semanas, o secretário chegou a se queixar de que os municípios cujos prefeitos eram ligados a ele não estariam sendo bem atendidos pelo chefe do DER. Tavares, por sua vez, é cotado para candidato a deputado federal.
Segundo interlocutores, o chefe do Departamento de Edificações e Estradas de Rodagem já teria recebido um convite formal da legenda do governador Romeu Zema (Novo), mas também estaria flertando com o PL.
A condução da reunião com a Ameg, no entanto, pode tanto fortalecer quanto fragilizar a relação dos prefeitos com o partido do governador, que já anunciou que apoiará Marcelo Aro ao Senado. Tudo dependerá dos rumos tomados pelo chefe do DER.
De qual lado?
Tudo indica que Tavares conseguirá contornar a crise. Porém, caso o gestor avance em sua aproximação com o PL, ele pode se tornar um novo pólo de atração para lideranças municipais naquela região, especialmente entre os que hoje demonstram insatisfação com o governo. E, assim, tirar do Novo potenciais puxadores de voto.
Se ele optar pelo Novo, por sua vez, o governador tende a ganhar. E é isso que Aro tenta garantir, mesmo que a relação com Tavares esteja estremecida.
O que pedem os prefeitos
Os prefeitos da região alegam que os pedidos por melhorias na infraestrutura viária vêm sendo ignorados pelo governo de Romeu Zema (Novo).
Como forma de pressão, eles ameaçam suspender o custeio de serviços que, por lei, deveriam ser de responsabilidade do Estado, como o fornecimento de combustível para viaturas da Polícia Militar, dos Bombeiros e da Polícia Civil, além do pagamento de salários de servidores cedidos à administração estadual.
Reivindicações antigas
As críticas ao Executivo mineiro se intensificaram na última reunião da Ameg, realizada em 26 de junho. Na ocasião, o presidente da associação e prefeito de São Sebastião do Paraíso, Marcelo Morais, detalhou os custos arcados pelas prefeituras.
“Só em Paraíso, gastamos mais de R$ 300 mil com recursos próprios para cobrir despesas que, legalmente, são do governo estadual. Quando buscamos soluções para problemas simples, esbarramos em uma burocracia extremamente agressiva”, afirmou.