O acordo de reparação pela tragédia de Brumadinho e a eliminação de barragens de risco levaram a Vale a fechar o quarto trimestre de 2025 com prejuízo de US$ 3,8 bilhões. Sem os desembolsos para mitigar os efeitos do rompimento da barragem do Córrego do Feijão, a mineradora teria registrado R$ US$ 1,46 bilhão de lucro líquido proforma, indicador que exclui efeitos extraordinários ligados à reparação do desastre e outros eventos não recorrentes.
Os números foram divulgados ao mercado após o fechamento do pregão da B3 na quinta-feira (12). O rompimento da barragem da Vale em Brumadinho, em 2019, causou derramamento de 12 milhões de metros cúbicos de rejeitos em 26 municípios e deixou 272 mortos.
Somente entre outubro e dezembro, as despesas diretamente associadas à reparação da tragédia e à eliminação de estruturas de risco, como as barragens à montante, somaram US$ 246 milhões.
No acumulado de 2025, esses gastos chegaram a US$ 411 milhões, além de despesas que também pressionaram o fluxo de caixa da companhia ao longo do ano. Segundo o relatório de desempenho da companhia, cerca de 81% das obrigações previstas no acordo de reparação já haviam sido cumpridas até o fim de dezembro.
Desempenho operacional
Do ponto de vista operacional, o desempenho da Vale foi positivo. A receita líquida no quarto trimestre alcançou US$ 11,1 bilhões, crescimento de 9% em relação ao mesmo período do ano anterior. Em todo o ano de 2025, o faturamento somou US$ 38,4 bilhões, 1% a mais do que o apurado em 2024.
O Ebitda proforma totalizou US$ 4,8 bilhões no trimestre, alta de 17% em um ano. Esse indicador analisa lucro antes de juros, impostos, depreciações e amortizações já excluindo os impactos de Brumadinho. Conforme o relatório da Vale, ele foi impulsionado por maiores volumes de vendas de minério de ferro e cobre, preços mais elevados do cobre e melhora de eficiência nas operações de metais básicos.
No acumulado de 2025, o indicador chegou a US$ 15,9 bilhões, aumento de 3% contra 2024.