Interlocutores da base aliada ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) apontam, como um dos motivos para a indecisão do senador Rodrigo Pacheco (PSD) sobre concorrer ou não ao governo de Minas Gerais, a ausência de envolvimento efetivo do chefe do Executivo federal na construção de um palanque sólido para o ex-presidente do Congresso Nacional em 2026.
A avaliação é que Lula, bem como pessoas do núcleo político do Palácio do Planalto, poderiam ter atuado para impedir, por exemplo, a filiação do vice-governador Mateus Simões ao PSD.
O entendimento é que o governo federal não percebeu em tempo hábil que partidos localizados ao centro do espectro político estavam aderindo a projetos políticos que não o de Pacheco. Além do movimento do PSD em direção ao sucessor desejado por Romeu Zema (Novo), há o caso do MDB, que fala em uma pré-candidatura de Gabriel Azevedo ao Palácio Tiradentes.
Já o União Brasil, também visto como opção a Pacheco, está federado ao PP, que tem Marcelo Aro, secretário de Estado de Governo de Minas, como pré-candidato ao Senado Federal pela coalizão de Simões.
Sem PSD, MDB e União, restaria ao ex-presidente do Congresso Nacional o PSB. A filiação aos quadros socialistas, contudo, é vista como um movimento que levaria a eventual candidatura do senador demasiadamente à esquerda, gesto que, para fontes ouvidas por O Fator, contrastaria com seu discurso de centro.
Busca por convencimento
Como O Fator mostrou mais cedo, aliados de Pacheco ainda nutrem esperança de convencê-lo a entrar em campo pela sucessão de Zema. Nessa terça-feira (18), em entrevista à CNN Brasil, o senador afirmou que cogita deixar a vida pública após encerrar o mandato parlamentar, no fim de 2026.
No início da semana, Pacheco sinalizou a Lula que não sabe se pretende seguir na carreira política. O aviso foi dado durante reunião chamada pelo presidente a fim de deixá-lo a par da indicação de Jorge Messias, advogado-geral da União, para o Supremo Tribunal Federal (STF). O petista, a propósito, aproveitou a agenda para reforçar o pedido para que o senador dispute a eleição mineira.
A possibilidade de não ter Pacheco faz o PT estudar alternativas. Uma ala do partido buscou a prefeita de Contagem, Marília Campos, para convencê-la a pleitear o Executivo estadual. Marília, contudo, não demonstra empolgação com a ideia e, no momento, considera apenas a ideia de pleitear o Senado.
À mesa, há também o nome do ex-prefeito de Belo Horizonte, Alexandre Kalil (PDT). Kalil, entretanto, já manifestou a aliados que só toparia reeditar a dobradinha feita com o PT em 2022 caso não tenha de carregar o partido em sua coligação formal.
Apesar da busca por opções a Pacheco, aliados de Lula entendem que a eventual saída do senador do páreo fragilizará o palanque do presidente no estado em 2026.
Futuro
Pacheco afirmou, nesta quarta-feira (19) que, “por deferência”, seu futuro na vida pública será alinhado com apoiadores de seu campo político.
Em que pese a sinalização de não disputar mais mandatos eletivos, o senador destacou a importância de ouvir os atores políticos que fazem parte do seu entorno.
“Eu fui guindado à vida pública, como deputado federal e senador da República, pelo povo de Minas Gerais e tive muito apoio de companheiros políticos. Eu acho que esses companheiros políticos do Senado, companheiros políticos de Minas Gerais, prefeitos, deputados estaduais e federais têm que participar dessa decisão. É por isso que eu disse da intenção. Mas, obviamente, que uma decisão pressupõe, até por deferência, o alinhamento com esse companheiros políticos”, afirmou.
O senador participou de um painel sobre a modernização do Código Civil, em Brasília, e destacou, em entrevista a jornalistas, o encontro com o presidente Lula, na última segunda-feira (17). Pacheco avaliou o encontro entre os dois como “amistosa” e “franca”. Conforme ele, a reunião se deu num patamar esclarecedor e com “transparência”.
“A posição dele em relação ao Supremo Tribunal Federal e a minha intenção de não disputar as eleições. Uma conversa muito tranquila”, declarou.