O plano do Novo para evitar a filiação de Mateus Simões ao PSD

Possibilidade de vice-governador mudar de partido foi admitida publicamente por Zema nesta semana
O vice-governador Mateus Simões
Pré-candidato, Simões está entre o Novo e o PSD. Foto: Victor Fagundes/Sede-MG

Interlocutores do Partido Novo apostam em uma espécie de cálculo eleitoral para evitar a migração do vice-governador Mateus Simões rumo ao PSD, possibilidade admitida publicamente inclusive pelo governador Romeu Zema. O entendimento é que, permanecendo no Novo, Simões, pré-candidato ao governo de Minas Gerais em 2026, terá mais capacidade de aglutinar, em torno de sua chapa, siglas à direita, como PL, PP e União Brasil.

Para fontes do Novo ouvidas por O Fator, a transferência para o PSD poderá fazer com que a montagem da chapa de Simões para 2026 fique restrita a apenas um partido, afastando uma eventual ampliação do leque de alianças e abrindo caminho para que legendas da direita lancem candidatos próprios, pulverizando os votos. 

O entendimento é que uma coalizão liderada pela atual agremiação do vice-governador pode funcionar como uma espécie de guarda-chuva da direita, comportando forças de outras legendas não apenas em postos como os candidatos ao Senado Federal, mas também em funções importantes em um hipotético mandato de Simões à frente do Executivo. 

O exemplo citado nos bastidores é o de 2022, quando Romeu Zema encabeçou uma coligação liderada por 10 partidos — entre eles, MDB, Solidariedade, PP, PMN e Avante.

A admissão pública de Zema quanto à possibilidade de Simões migrar para as fileiras pessedistas aconteceu em entrevista ao “Roda Viva”, da TV Cultura.

“Sei que ele (Simões) tem conversado (com o PSD). Essa decisão vai depender muito dele. Ele sempre faz tudo com muita transparência — inclusive, com relação ao Partido Novo. Vamos ver essa decisão nas próximas semanas ou meses. Vai depender muito desse contexto eleitoral que está se formando para 2026”, afirmou.

Além do cálculo eleitoral, está a favor do Novo a boa relação de Simões com Zema e o fato de o vice-governador ser identificado com as bandeiras da legenda.

Bancada do PSD pode pesar

No PSD mineiro, o setor que mais faz força pela filiação de Simões é a bancada de deputados estaduais. Os 10 representantes pessedistas na Assembleia Legislativa compõem a base governista. 

Na sigla de Gilberto Kassab, entende-se que a filiação do vice de Zema garantiria a ele mais estrutura para disputar o pleito no ano que vem. O partido, que ainda convive com a indefinição quanto à participação do senador Rodrigo Pacheco na corrida ao Palácio Tiradentes, possui tempo relevante de televisão e uma fatia considerável do fundo eleitoral.

Há, também, a avaliação de que o PSD, por ser um partido mais ao centro do espectro político, ajudaria Simões a se afastar da polarização e obter o apoio de eleitores que, por questões ideológicas, teriam dificuldade de votar no Novo.

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