O Partido Liberal (PL) tem o desejo de atrair o governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), para ser o candidato a vice-presidente na chapa do senador Flávio Bolsonaro (RJ), nome do partido para a corrida ao Palácio do Planalto. A aliança com o Novo no campo nacional garantiria, segundo a cúpula do PL, o apoio dos liberais à chapa do vice-governador Mateus Simões (PSD) na eleição estadual.
Se Zema não desistir da cabeça de chapa, o PL vai investir em outro nome em Minas para dar palanque ao filho do ex-presidente Jair Bolsonaro.
“Zema gerencia com autoridade, o que, consequentemente, melhora a qualidade de vida da população. Ele aplicou na gestão pública o que aprendeu no mundo corporativo e isso tem muito valor. É um nome que respeitamos muito”, disse a O Fator o presidente estadual do PL, o deputado federal Domingos Sávio.
Apesar dos elogios à gestão mineira, o PL mantém o pragmatismo. Domingos Sávio ressalta que as pesquisas indicam Flávio Bolsonaro com maior viabilidade eleitoral no campo da direita para derrotar Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e que o próprio Zema já sinalizou que a decisão de se candidatar passaria pela análise de viabilidade eleitoral.
PL não quer repetir cenário de 2022
Na visão do partido, Minas Gerais é o estado decisivo para o resultado nacional e não pode ter dois palanques dividindo votos no primeiro turno.
O objetivo central da legenda é não repetir o desempenho de 2022. Naquela eleição, Zema formalizou apoio a Bolsonaro apenas no segundo turno. O PL avalia que a ausência de uma estrutura conjunta e sólida desde o início foi determinante para a derrota do capitão reformado em território mineiro, onde obteve 49,80% dos votos válidos, contra 50,2% de Lula.
O partido até chegou a lançar o senador Carlos Viana como postulante ao governo a fim de dar palanque a Bolsonaro, mas o parlamentar terminou a disputa na terceira posição.
Para evitar o isolamento, os liberais mantêm interlocução com outros quadros, incluindo o senador Cleitinho Azevedo (Republicanos).
A movimentação ocorre em meio à tentativa de uma ala do União Brasil de filiar o senador Rodrigo Pacheco (PSD) com vistas a uma eventual candidatura ao governo. O movimento, se concretizado, tiraria a federação União-PP da coalizão de Simões.
“Se o Zema for candidato a presidente, não poderá ter apoio em Minas, porque o apoio em Minas é para o PL. O cenário nacional vai pesar. Não podemos ficar presos a projetos pessoais, o compromisso é dar a eleição para o Flávio”, reforça Sávio.