Minas Gerais pode a receber uma Unidade de Fertilizantes Nitrogenados (UFN) em Uberaba, no Triângulo Mineiro, com previsão de início de operação em até cinco anos. A indicação integra o Plano Decenal de Expansão de Energia 2026–2035 (PDE 2035), elaborado pela Empresa de Pesquisa Energética (EPE), e está condicionada à implantação da planta industrial e da infraestrutura necessária para o fornecimento de gás natural.
O Plano Decenal foi divulgado no final de dezembro e adota como premissa a existência de demanda do insumo associada à produção de fertilizantes na região do Triângulo Mineiro.
Segundo a EPE, vinculada ao Ministério de Minas e Energia (MME), essa demanda pode ser atendida tanto por uma nova unidade industrial movida a gás natural quanto por conversões de instalações já existentes, com possibilidade de uso adicional do insumo no próprio polo industrial de Uberaba.
Para Minas Gerais, a eventual implantação da UFN teria impacto direto sobre o perfil estadual de consumo de gás natural. Como o estado não é produtor do energético, depende da integração à malha nacional de transporte.
Por isso, o próprio PDE associa o prazo estimado de até cinco anos à necessidade de implantação de um gasoduto de suprimento, condição considerada essencial para a viabilidade do projeto.
Este gasoduto, aliás, já é objeto de tratativas por parte de empresas mediante investimento de R$ 5 bilhões e também é previsto pela própria EPE no Plano Indicativo de Gasodutos de Transporte (PIG 2024), lançado em 2025.
A EPE avalia que empreendimentos industriais desse porte funcionam como âncoras de demanda, ou seja, projetos que ajudam a justificar investimentos em transporte e distribuição de gás. No caso mineiro, a unidade de Uberaba aparece no planejamento como potencial vetor de interiorização do gás natural e de fortalecimento do consumo industrial no estado.
Agronegócio
A produção de fertilizantes nitrogenados se enquadra no chamado downstream do gás natural, termo usado para definir atividades industriais que utilizam o gás como matéria-prima, e não apenas como combustível para geração de energia.
Nesse segmento, o gás é essencial para a fabricação de amônia e ureia, insumos centrais da cadeia do agronegócio.
Segundo o PDE 2035, o downstream está entre os principais motores de crescimento da demanda de gás no Brasil, impulsionado pela expansão da indústria química e de fertilizantes.
Esse movimento é sustentado por um cenário de aumento estrutural da oferta. A EPE, aliás, projeta que a produção nacional de gás quase dobrará até 2035, passando de cerca de 65 milhões para 127 milhões de metros cúbicos por dia, avanço associado principalmente ao pré-sal.
Plano nacional
O planejamento indica que esse processo não se limita a Minas Gerais. Estados como Bahia e Sergipe também aparecem nas projeções com aumento da demanda industrial de gás ligada à produção de fertilizantes e a outros segmentos químicos.
Novela
Em 2014, a Petrobras iniciou a construção de uma fábrica de fertilizantes nitrogenados na cidade, projeto que previa a produção de amônia e tinha como objetivo reduzir a dependência brasileira de insumos importados.
O empreendimento, no entanto, não avançou conforme o cronograma original e acabou sendo paralisado, sem entrar em operação, em meio a mudanças estratégicas da estatal e entraves relacionados à infraestrutura de suprimento de gás natural.