A Fundação Ezequiel Dias (Funed) concluiu a produção do primeiro lote de soros antipeçonhentos desde a paralisação da fábrica da entidade, em 2016. São cerca de 8 mil ampolas para combater os efeitos de picadas de serpentes do gênero Bothrops, como as jararacas. O destinatário dos frascos é o Ministério da Saúde, que vai recebê-los no início do ano que vem.
O repasse dos frascos ao governo federal ainda não aconteceu porque o contrato para o fornecimento dos soros carece de assinatura, o que deve acontecer em janeiro. O Ministério da Saúde sinalizou informalmente ter demanda suficiente para receber 100 mil doses.
A interrupção da produção de soros aconteceu por causa da necessidade de adequar a planta da Funed às normas da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). A retomada, oficializada em março deste ano, freou uma sequência de adiamentos em série.
Em junho de 2023, por exemplo, o secretário de Estado de Saúde, Fábio Bacchereti, chegou a prever a reabertura da planta produtiva da Funed em novembro daquele ano.
Um impasse com o governo dos Estados Unidos da América (EUA), entretanto, modificou a rota. O Departamento de Agricultura dos EUA (USDA, na sigla em inglês) atrasou a entrega da permissão que serviria para liberar a entrada, no país, de bolsas de soro que seriam validadas pela Sartorius, laboratório que repassa, à Funed, itens essenciais ao processo produtivo dos antídotos.
Ainda no ano retrasado, a Funed passou a considerar a hipótese de voltar a produzir soros no primeiro semestre do ano passado. A estimativa não se concretizou porque um problema no sistema de ar comprimido da fundação obrigou o adiamento da retomada.
Cardápio de soros
Desde 2023, a Funed é presidida pelo ex-deputado estadual Felipe Attiê. A entidade tem autorização da Anvisa para produzir não apenas soros antipeçonhentos, mas também compostos antitetânicos e antirrábicos.
A Funed avalia a possibilidade de mudar sua personalidade jurídica. Hoje constituída como autarquia, a fundação tem, entre as hipóteses examinadas, a transformação em empresa pública.
O entendimento é que a alteração pode desburocratizar processos como a compra de materiais. Os estudos sobre a possível troca na personalidade jurídica são conduzidos pela Fundação Getúlio Vargas (FGV).
