Em conversa com investidores nesta quinta-feira (1º), executivos da mineradora Lynas evitaram bater o martelo sobre eventuais planos de separar óxidos de terras raras no Brasil. A empresa anunciou ontem (30) ter feito oferta de R$ 3,5 bilhões pelo projeto da também australiana Meteoric na cidade de Caldas, no Sul de Minas Gerais – diretores e o maior acionista da Meteoric já sinalizaram apoio à negociação.
A notícia da aquisição pegou os investidores da Lynas de surpresa, uma vez que a companhia mantinha como estratégia para 2030 a ampliação da capacidade de sua mina na Austrália e de sua planta industrial na Malásia, onde separa óxidos de terras raras. As ações da empresa comercializadas na Bolsa da Austrália encerram esta quinta com um queda de 8,60%, sendo precificadas em 12,64 dólares australianos (A$).
Em chamada com executivos das duas empresas, investidores buscaram entender os planos da empresa com a aquisição do projeto. A negociação ainda precisa ser aprovada pelos demais acionistas da Meteoric.
Ao ser questionado sobre a possibilidade de a Lynas criar uma planta de separação de óxido de terras raras no Brasil, o vice-presidente de Estratégia e Relações com Investidores, Daniel Havas, afirmou que o principal objetivo da aquisição é dar flexibilidade ao plano da empresa de produzir, até 2030, 12 mil toneladas de óxido de neodímio-praseodímio – de junho de 2025 a junho de 2026, a empresa vendeu 7,3 mil toneladas.
“Do ponto de vista da produção, a estratégia da Lynas sempre foi crescer junto com o mercado, e continuaremos a fazê-lo, particularmente fora do mercado chinês. Já anunciamos que vamos elevar a capacidade de processamento na Malásia para 12 mil toneladas neste período, para corresponder ao volume que já conseguimos produzir a partir de Mount Weld (mina da Lynas na Austrália)”, afirmou Havas.
“A entrada em operação da matéria-prima de Caldeira (nome do projeto da Meteoric) nos dará flexibilidade para superar a marca de 12 mil toneladas ao longo do tempo, acompanhando a demanda fora da China. Isso proporciona flexibilidade quanto às opções de matéria-prima para as operações na Malásia e nos permite avaliar, com o tempo, o potencial de desenvolvimento de atividades de processamento no Brasil”, continuou.
Segundo Havas, criar uma planta de processamento no Brasil “seria excelente sob a ótica de mitigação de riscos e representaria uma oportunidade adicional de crescimento, permitindo-nos abastecer o mercado do Ocidental a partir do Brasil, além de utilizar nossas cadeias de suprimentos e instalações existentes na Malásia”.
“Do ponto de vista da alocação de capital, nada mudou em relação à estratégia para 2030. Isso continuará como está hoje, o que inclui atingir a capacidade de produção de 12 mil toneladas na Malásia. Alocaremos capital ao longo do tempo, direcionando-o para onde for mais bem utilizado”, disse Havas. Vamos analisar as opções para o desenvolvimento contínuo no Brasil e como isso se configuraria, mas precisamos passar por esse processo. Não há nada definido de forma imutável, e teremos mais a dizer sobre isso no momento oportuno”, completou.
Apoio do BNDES
Na conversa, ele também citou interesse do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) de eventualmente financiar uma planta industrial da empresa no Brasil. “Isso garantiria o envolvimento direto da instituição sob a ótica do país, o que é fundamental para o futuro”, falou.
Havas também afirmou que a Lynas e a Meteoric vêm trabalhando juntas para permitir que o carbonato de terras raras a ser produzido em Caldas esteja apto para refino na planta da Lynas na Malásia. O ajuste é necessário porque as terras raras extraídas pela empresa na Oceania e posteriormente enviadas ao país asiático advém de um minério diferente daquele encontrado no Sul de Minas.
A indefinição trazida pelo executivo da Lynas, por outro lado, contrasta com a do governo federal. Isso porque, nesta quinta-feira, o ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, afirmou que executivos da Lynas o comunicaram que a empresa prevê a instalação de uma planta de separação na região de Poços de Caldas.
“Isso vai colocar o Brasil em outro patamar na cadeia global de minerais críticos, podendo ter a maior planta industrial de terras raras do mundo fora da China”, disse, à CNN.