O que deputados estudam fazer para os próximos passos da proposta de privatização da Copasa

Ideia passa por mudança em texto da PEC do fim do referendo, que está parado em comissão da Assembleia Legislativa
Foto mostra a sede da Copasa
A sede da Copasa, em BH. Foto: Copasa/Divulgação

Os corredores da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG) têm sido palco de debates a respeito sobre a possibilidade de mudanças no texto da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que exclui a obrigatoriedade de realização de um referendo para viabilizar a venda de estatais.

Segundo apurou O Fator, em uma das vertentes de alteração cogitadas, a PEC passaria a versar apenas sobre o fim da consulta popular, sem tratar da eliminação da necessidade de as vendas serem aprovadas por quórum qualificado no plenário do Parlamento, mantendo a obrigação do Executivo de conseguir ao menos 48 votos para conseguir o aval a eventuais negociações.

Em um cenário sem quórum qualificado, as desestatizações poderiam receber autorização legislativa a partir do aval da maioria simples dos parlamentares. Votações com maioria simples podem acontecer com apenas 39 mandatários presentes.

A outra hipótese debatida trata do “fatiamento” do texto da PEC, que hoje engloba a Companhia Energética de Minas Gerais (Cemig) e a Companhia de Saneamento de Minas Gerais (Copasa). Assim, em um primeiro momento, os deputados estaduais passariam a analisar apenas o fim da necessidade de referendo para a venda da Copasa.

A possibilidade de a PEC tratar apenas da Copasa está alicerçada no entendimento de que, hoje, uma eventual privatização da empresa de saneamento é mais factível que a venda da Cemig. O governo, vale lembrar, entende que a aprovação da proposta pode agilizar até mesmo os trâmites para a federalização das companhias no âmbito do Programa de Pleno Pagamento das Dívidas dos Estados (Propag).

Segundo o vice-governador Mateus Simões (Novo), o governo federal não demonstrou interesse em receber a Copasa como forma de abater parte do débito estadual. Assim, o Executivo estuda a possibilidade de negociar a empresa junto à iniciativa privada e aportar, na amortização do passivo, os recursos obtidos com a transação.

A PEC do fim do referendo está há algumas semanas parada na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ). O relator, Thiago Cota (PDT), já apresentou parecer pela aprovação do projeto, mas deputados de oposição têm conseguido adiar a votação no colegiado.

Zema ‘contraria’ Itamar

A PEC foi enviada à Assembleia em outubro de 2023 pelo governador Romeu Zema (Novo).

“A desestatização das empresas públicas será o ponto de partida para uma completa transformação, lançando as bases para a consolidação do processo de recuperação financeira e patrimonial, além de impulsionar o desenvolvimento econômico do Estado”, escreveu o chefe do Executivo, no texto que acompanha a proposição.

A obrigatoriedade de realização de um referendo foi instituída na Constituição em 2001, após os deputados atenderem a um pedido do então governador Itamar Franco. À época no MDB, Itamar chegou a formar uma comissão de juristas para avaliar a possibilidade de privatização de companhias do setor elétrico. O comitê opinou pela manutenção das empresas da área sob o guarda-chuva do setor público.

“A referida Comissão, composta de ilustres juristas, professores e advogados isentos, sob a presidência do Dr. José de Castro Ferreira, após quatro meses de estudos, concluiu pela impossibilidade de desnacionalização do setor hidroenergético submetido ao domínio público e pela “inafastabilidade” do exercício da competência dos Estados na condução da política do setor, em diálogo com a União”, comunicou Itamar aos parlamentares naquele ano.

Se a PEC de Zema não vingar, o referendo para viabilizar a privatização de estatais só pode acontecer em outubro do ano que vem, no mesmo dia do primeiro turno da eleição geral. A norma que determina a realização de consultas populares de forma simultânea a um pleito foi publicada em 2012 pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE). 

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