O que Mateus Simões disse ao Novo ao comunicar saída para o PSD

Vice de Zema enviou carta a correligionários neste domingo (19), a fim de oficializar acordo com legenda de Gilberto Kassab
Mateus Simões e Romeu Zema
O vice-governador, Mateus Simões (Novo), quer suceder Romeu Zema (Novo) no comando do estado. Foto: Gil Leonardi / Imprensa MG

De malas prontas para o PSD, o vice-governador de Minas Gerais, Mateus Simões, enviou, neste domingo (19), uma carta a filiados ao Novo a fim de justificar a saída do partido. No texto, Simões atribuiu a decisão à necessidade de “unificação” em torno de uma candidatura única da direita na disputa pela sucessão de Romeu Zema (Novo) em 2026. Ainda segundo o vice-governador, a desfiliação do Novo foi fruto de “reflexão” e “convicção”.

“O cenário atual exige um movimento firme e responsável de convergência. É hora de reunir forças, ampliar pontes e garantir que PSD, Novo, a federação PP/União Brasil e partidos que sempre estiveram conosco, como Podemos, Solidariedade, PRD, Mobiliza e DC, estejam juntos em torno de um mesmo propósito. Seguimos também abertos ao diálogo com o PL e os Republicanos”, afirmou, no documento, obtido por O Fator.

A filiação de Simões ao PSD foi anunciada também neste domingo, em mensagem dos presidentes nacional e estadual da legenda, Gilberto Kassab e Cássio Soares, respectivamente. O embarque do vice de Zema na nova sigla está marcado para o próximo dia 27.

“Não faço essa escolha sem reflexão, mas com convicção. A convicção de quem sabe distinguir o que é mais importante para Minas neste momento. Acredito que a força política do PSD, com a maior bancada na Assembleia e o maior número de prefeitos do Estado, é essencial para enfrentar os riscos de candidaturas aventureiras e o retorno dos que tanto prejudicaram Minas no passado”, apontou Simões, no texto encaminhado ao Novo.

O acordo entre o PSD e Simões vinha sendo gestado há alguns meses. No início de outubro, Kassab e Soares se reuniram com Zema e chegaram a debater a filiação do vice-governador ao novo partido. À ocasião, ficou alinhado que, mesmo em caso de pré-candidatura pessedista ao Palácio do Planalto, Simões estará no palanque de Zema caso o governador mineiro dispute a Presidência da República.

No texto enviado ao antigo partido, Simões garantiu que não se trata de rompimento político. Ele ainda assegurou ter “gratidão” ao Novo.

“Essa mudança partidária não altera os meus compromissos, nem afasta as pessoas que caminham ao meu lado. Não há ruptura, há continuidade e soma. Reforço, assim, o meu compromisso com Minas Gerais e com o trabalho que iniciei junto com o governador Romeu Zema”, pontuou.

Busca por frente ampla

A citação a partidos como PL, Republicanos e União Brasil no texto de despedida do Novo vai ao encontro do desejo de Simões de encabeçar uma frente ampla da direita na eleição mineira do ano que vem. A intenção do vice-governador é entregar, à federação formada por União e PP, uma das duas candidaturas ao Senado Federal. Nesse cenário, o escolhido seria o secretário de Estado de Governo de Minas Gerais, Marcelo Aro, pertencente ao PP.

Na busca por uma aproximação ao PL, Simões chegou a participar, em junho, de um evento com o ex-presidente Jair Bolsonaro em Belo Horizonte. A boa relação com o deputado federal Nikolas Ferreira também é um trunfo para atrair os liberais.

O Republicanos, por seu turno, tem o senador Cleitinho Azevedo como pré-candidato ao Palácio Tiradentes. No âmbito da Assembleia Legislativa, contudo, o partido compõe a base governista. 

Grupo de Pacheco de olho

Uma das consequências da chegada de Simões ao PSD pode ser a saída do grupo encabeçado pelo senador Rodrigo Pacheco (MG). O ex-presidente do Congresso Nacional é o nome desejado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para disputar o governo mineiro em uma coalizão de centro-esquerda.

Aliados de Pacheco já vinham sinalizando que, em caso de filiação de Simões, precisariam encontrar novos destinos. O senador, também cotado para compor o Supremo Tribunal Federal (STF) diante da aposentadoria do ministro Luís Roberto Barroso, recebeu sondagens de PSB, MDB e União Brasil.

O texto de Simões ao Novo

Durante os últimos dez anos, estive completamente imerso em um projeto que considero até hoje o mais inovador da política brasileira: o NOVO. O tempo passou, o partido evoluiu e, nesse processo, tive a oportunidade de me desenvolver e construir minha trajetória. Devo muito aos que caminharam comigo e acredito que, da minha forma, também contribuí para que o Novo completasse esse primeiro ciclo. Erramos, acertamos, mas acima de tudo aprendemos.

A minha eleição, em 2016, como o primeiro vereador do Novo em Minas Gerais, a vitória do governador Romeu Zema em 2018, o avanço em Joinville em 2020 e a nossa reeleição em 2022 são capítulos de uma mesma história, construída a quatro mãos junto com o governador Romeu Zema, da qual me orgulho de ter participado intensamente.

Agora, encerro essa etapa com gratidão e começo uma nova jornada. Nos próximos dias, me filiarei ao PSD, partido que em Minas representa a unificação necessária para garantir a sucessão do governador Romeu Zema e a continuidade do nosso projeto de transformação.

Não faço essa escolha sem reflexão, mas com convicção. A convicção de quem sabe distinguir o que é mais importante para Minas neste momento. Acredito que a força política do PSD, com a maior bancada na Assembleia e o maior número de prefeitos do Estado, é essencial para enfrentar os riscos de candidaturas aventureiras e o retorno dos que tanto prejudicaram Minas no passado.

O cenário atual exige um movimento firme e responsável de convergência. É hora de reunir forças, ampliar pontes e garantir que PSD, NOVO, a federação PP/União Brasil e partidos que sempre estiveram conosco, como Podemos, Solidariedade, PRD, Mobiliza e DC, estejam juntos em torno de um mesmo propósito. Seguimos também abertos ao diálogo com o PL e os Republicanos.

Essa mudança partidária não altera os meus compromissos, nem afasta as pessoas que caminham ao meu lado. Não há ruptura, há continuidade e soma. Reforço, assim, o meu compromisso com Minas Gerais e com o trabalho que iniciei junto com o governador Romeu Zema. Juntos, seguiremos fazendo muito mais por Minas.

Aos meus amigos do Novo, deixo um sentimento sincero de gratidão. E agradeço, mais uma vez, ao governador Romeu Zema. Tenho orgulho de fazer parte do seu governo e fico feliz de poder dar continuidade a um trabalho que já modificou a história de Minas e que seguirá transformando o nosso futuro.

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