A chance de o deputado federal Euclydes Pettersen (Republicanos-MG) ser chamado para depor na Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS é vista como remota por integrantes do colegiado ouvidos por O Fator.
Em novembro, o parlamentar mineiro foi alvo de mandados de busca e apreensão da Polícia Federal (PF) e da Controladoria-Geral da União (CGU) como parte da operação que investiga descontos não autorizados em aposentadorias e pensões do INSS.
O nome dele chegou a ser citado na comissão e dois requerimentos — um do relator Alfredo Gaspar (União Brasil – AL) e outro da deputada federal Coronel Fernanda (PL-MT) — pediam que o deputado fosse convidado a prestar esclarecimentos. A CPMI, porém, encerrou as atividades deste ano na última semana sem analisar os ofícios.
Segundo fontes ouvidas pela reportagem, essa articulação deve continuar no próximo ano, já que a bancada do Republicanos é uma das maiores do Congresso Nacional e o deputado teria influência suficiente entre as lideranças para buscar barrar a iniciativa.
O que pesa contra Euclydes
Documentos indicam que Euclydes teria recebido ao menos R$ 14,7 milhões em propina para oferecer proteção política ao esquema de fraude no sistema previdenciário. Os pagamentos ilegais seriam intermediados por um assessor do deputado.
Um relatório da PF afirma que “o Deputado Federal EUCLYDES MARCOS PETTERSEN NETO era figura essencial ao esquema, pois concedia acesso de CARLOS ROBERTO a quem tinha influência na indicação de nomes para a Presidência do INSS”.
As investigações mostram que o presidente do Republicanos em Minas aparecia nas planilhas de propina da Conafer, a Confederação Nacional dos Agricultores Familiares e Empreendedores Familiares Rurais, sob o apelido “Herói E”.
Ele é apontado como o integrante mais bem remunerado da estrutura de pagamentos do esquema. Em troca, ele oferecia proteção política e era responsável por abrir portas para que o presidente da Conafer tivesse influência sobre indicações ao comando do INSS.
O que diz o deputado
O parlamentar mineiro também é investigado por ter vendido um avião a uma entidade ligada às fraudes. Depois de ser alvo da operação, Euclyde negou todas as irregularidades e afirmou estar “à inteira disposição” das autoridades para prestar esclarecimentos.
“Reitero que toda operação representa, para alguns, um fim, e para outros, uma libertação. Já fui alvo de duas operações: em uma delas, fui absolvido, e na outra, o Judiciário sequer recebeu a denúncia, por falta de provas que comprovassem qualquer prática criminosa”.
“Me coloco à inteira disposição para prestar todos os esclarecimentos necessários. Acredito na justiça, na verdade e na importância das investigações sérias, conduzidas dentro da legalidade e com total transparência”, completou o deputado federal mineiro.