Durante a cerimônia de celebração dos 100 anos do Automóvel Clube de Minas Gerais, realizada na noite dessa terça-feira (27), na Câmara Municipal de Belo Horizonte (CMBH), um episódio inesperado causou apreensão entre os presentes. A solenidade foi proposta e presidida pela vereadora Marcela Trópia (Novo) e contou com a presença de associados históricos, magistrados e autoridades políticas.
Enquanto os deputados estaduais Betinho Pinto Coelho (PV) e Gustavo Santana (PL) discursavam, ambos receberam por WhatsApp, no formato PDF, um ofício do governo estadual que lista imóveis passíveis de serem transferidos à União no contexto do Programa de Pleno Pagamento de Dívidas dos Estados (Propag), divulgado em primeira mão por O Fator.
Ao depararem com a citação de um imóvel identificado como “Automóvel Clube – Av. Afonso Pena, 1394 – Centro” na lista anexa ao ofício , muitos dos presentes — incluindo desembargadores, membros da diretoria do clube e associados de décadas — temeram o pior: que, justamente no ano do centenário, o tradicional prédio da década de 1920, obra do arquiteto Luiz Signorelli e símbolo da sociedade belo-horizontina, estivesse prestes a ser entregue ao governo federal como parte do pagamento da dívida estadual.
A tensão só foi contida quando o ex-presidente da Câmara Municipal, Gabriel Azevedo (MDB), esclareceu que o imóvel mencionado no documento não se refere à sede histórica do clube, tombada e em funcionamento, mas sim ao salão de festas do edifício residencial anexo, localizado na esquina da Avenida Álvares Cabral com a Rua Goiás. A área, que por décadas abrigou o Museu do Corpo de Bombeiros, foi cedida em comodato ao Automóvel Clube ainda na gestão do ex-governador Antonio Anastasia, mantendo-se de propriedade do Estado.
Até que a informação correta se espalhasse entre os membros da mesa e os convidados, o receio de que o governo Romeu Zema estivesse alienando um dos maiores ícones culturais da capital mineira pairou sobre o plenário da Câmara Municipal.