Após meses de negociações, o plenário da Câmara dos Deputados deve votar, na próxima terça-feira (14), para escolher quem será o novo ministro do Tribunal de Contas da União (TCU). Antes do escrutínio, os candidatos deverão passar por sabatina na Comissão de Finanças e Tributação (CFF) na quinta-feira (9).
Apesar do surgimento de diversos candidatos de última hora, a previsão nos bastidores governistas é otimista e indica que o deputado federal mineiro Odair Cunha (PT) deve conquistar a cadeira. Contudo, o placar não deve ser com folga.
O principal articulador da candidatura dele é o presidente do Legislativo, Hugo Motta (Republicanos-PB), que enfrentou desgaste nas últimas semanas em função de manter essa escolha, que remonta a um acordo de 2024.
Quando concorreu ao comando da Casa, em fevereiro de 2025, ele precisava do apoio do PT para ser eleito e, para garantir os votos da bancada, fechou acordo de que um petista seria indicado para a cadeira no TCU.
E alguns fatores ajudam a explicar a demora para definir quem vai ocupar a vaga deixada, em fevereiro deste ano, por Aroldo Cedraz na Corte de Contas. Ele se aposentou compulsoriamente, uma vez que completou 75 anos.
Um dos motivos foi a falta de segurança de que os deputados do centrão, que formam o grupo de Motta, vão apoiar o nome de Odair Cunha. Como não há segundo turno na eleição, a vitória se dá por maioria simples, na lógica de que todo voto conta.
O petista tem buscado conversar individualmente com os colegas. Além disso, a articulação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) tem pedido para que deputados de centro-esquerda e de esquerda cheguem cedo a Brasília na terça-feira.
O fator político-eleitoral, de que Lula concorrerá à reeleição neste ano, também entra nessa equação e afasta votos. A oposição quer evitar que o TCU conte com um nome governista, principalmente num cenário em que Lula vença.
Pulverização atrapalha
As cabines de votação já estão instaladas na Casa. O ato chegou a gerar irritação entre parlamentares, diante da possibilidade de realização de uma votação de última hora, em meio ao esvaziamento do Congresso após a janela partidária, com Motta aproveitando o fato de que nem todos haviam chegado à capital federal.
Desgaste recente do presidente da Casa também abriu espaço para vozes dissonantes no grupo que ajudou a elegê-lo e, em tese, fazem parte de sua base de apoio. A pulverização é um dos motivos de preocupação e, por isso, Motta vai atuar para tentar desistências.
Da centro-direita, estão cotados: Danilo Forte (PP-CE), Elmar Nascimento (União Brasil) e Hugo Leal (PSD-MG). Do grupo da direita, colocaram-se na disputa Adriana Ventura (Novo) e Soraya Santos (PL-RJ), no lugar de Hélio Lopes (PL-RJ).
O partido conta com 99 votos, a maior bancada da Casa, e já representa uma parcela significativa dos 513 parlamentares. A orientação do presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, é a votação na parlamentar, sem espaço para dissidências.
Em 2023, Soraya também disputou o cargo e conseguiu 75 votos. Na época, Jhonatan de Jesus (RR), então filiado ao Republicanos, foi quem conquistou a cadeira. A próxima vaga irá surgir apenas em outubro de 2027, quando o ministro Augusto Nardes atingirá a idade para aposentadoria compulsória.