A defesa de um dos presos pela Polícia Federal (PF) no âmbito da Operação Rejeito denunciou, nesta quarta-feira (24), que seu cliente teria sido vítima de tortura praticada por policiais penais contra os investigados que estão detidos no Presídio Dutra Ladeira, em Ribeirão das Neves. O caso foi peticionado à Justiça Federal, mas corre em segredo de Justiça.
Pelo que O Fator apurou, a manifestação da defesa de um dos presos da operação foi feita a partir de uma denúncia anônima feita por um policial penal.
Um dos fatos narrados aponta que o detido estaria sendo agredido por policiais quando retirado da cela e chegou a ter o rosto cortado por uma lâmina de barbear. A defesa também aponta possível tortura psicológica a partir de gritos de policiais.
No sábado (22), uma parte dos detidos pela operação foi transferida para o Presídio Dutra Ladeira, onde os supostos abusos estariam ocorrendo. Já os três presos apontados pela PF como líderes do esquema foram encaminhados para uma penitenciária de segurança máxima.
Investigação
A Operação Rejeito investiga esquema de corrupção e fraudes no licenciamento ambiental mineiro. O grupo criminoso construiu rede de 42 empresas controladas pelos líderes Alan Cavalcante, João Alberto Lages e Helder Adriano entre 2020 e 2024.
O esquema envolvia empresários da mineração e servidores de órgãos como Fundação Estadual do Meio Ambiente, Agência Nacional de Mineração, Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional em Minas Gerais, Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável, Conselho Estadual de Política Ambiental e Instituto Estadual de Florestas.
As empresas funcionavam para obtenção fraudulenta de licenças ambientais, movimentação de recursos e blindagem patrimonial. As vantagens indevidas eram depositadas em contas de pessoas jurídicas vinculadas aos servidores corrompidos e seus familiares.
A Polícia Federal calcula que os projetos controlados pelo grupo criminoso poderiam gerar ganhos ilícitos de aproximadamente R$ 18 bilhões. Os empreendimentos minerários avançavam mediante pagamento de propina e manipulação de processos administrativos, incluindo projetos em áreas ambientalmente sensíveis como Serra do Curral e Serra do Botafogo, em Ouro Preto.