A recondução de Paulo Gonet ao cargo de procurador-geral da República deve passar por “barulho” no Senado. Parlamentares da oposição, especialmente do PL, articulam uma sabatina dura na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ). O ambiente político é considerado mais tenso que o da sabatina anterior.
A condenação de Bolsonaro pela Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF), a 27 anos e três meses de prisão por tentativa de golpe de Estado, reforçou o desgaste de Gonet entre os bolsonaristas. Além disso, a PGR teve papel central nas investigações e na condução das ações penais sobre os ataques de 8 de janeiro.
Interlocutores da oposição afirmam que o momento é visto como uma oportunidade para fazer pressão sobre o governo e dar visibilidade política à bancada. A intenção é transformar a sabatina em um espaço de enfrentamento, no mesmo momento em que a defesa de Bolsonaro tenta obter prisão domiciliar. O ministro Alexandre de Moraes já rejeitou o primeiro pedido, na segunda-feira (12), alegando risco de fuga.
Lula assinou a recondução de Gonet no dia 27 de agosto, para mais dois anos à frente da PGR. No governo, a avaliação é de que o cenário será mais barulhento, mas não necessariamente mais difícil. A aposta é que Gonet mantenha o apoio da maioria. Na última votação, em 2023, ele recebeu 65 votos favoráveis e 11 contrários entre os 81 senadores. Para ser reconduzido, precisa de pelo menos 41 votos.
Sabatina marcada
O presidente da CCJ, Otto Alencar (PSD-BA), definiu o cronograma da vida de Gonet no Senado. A sabatina ocorrerá no dia 12 de novembro, pela manhã, na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ). A votação no plenário do Senado está prevista para a tarde do mesmo dia. O relator da indicação será o senador Omar Aziz (PSD-AM).