A escolha do embaixador do Brasil na Noruega, Rodrigo de Azeredo Santos, como novo presidente do Ibram, instituto que representa as maiores mineradoras em operação no país, durou sete meses e contou com vários nomes como candidatos.
O processo foi conduzido pela Vila Nova Partners, empresa que auxilia organizações na busca de conselheiros e executivos. O nome de Santos, aliás, foi prospectado pela própria empresa, segundo interlocutores a par do assunto.
Conforme O Fator apurou, a empresa prospectou cerca de 40 nomes para participarem do processo seletivo, entre advogados, executivos e diplomatas – inclusive de Roberto Ardenghy, ex-cônsul comercial do Brasil em Nova York e atual presidente do Instituto Brasileiro de Petróleo, Gás e Biocombustíveis (IBP).
Ao longo dos meses, o número foi sendo reduzido pelo Conselho do Ibram, formado por representantes das mineradoras associadas e presidido por Ana Sanches, presidente da Anglo American no Brasil.
Ao final, além de Santos, a lista tríplice tinha os nomes de Anderson Baranov, ex-CEO da Hydro no Brasil, e de Pablo Cesário, que assumiu a presidência interina do instituto após a morte de Raul Jungmann em janeiro deste ano. O primeiro, aliás, teria contado com o apoio do ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, mas informações colhidas pela própria Vila Nova Partners indicaram que Santos seria o melhor nome.
Internamente, conforme a reportagem apurou, Cesário seria o nome mais natural para ocupar o cargo, principalmente devido a sua boa avaliação entre as mineradoras associadas. As empresas, no entanto, avaliaram que ele ainda precisava de amadurecimento no setor antes de assumir definitivamente a presidência da principal organização minerária do país.
Procurado por O Fator, Baranov disse desconhecer apoio de Silveira, e o ministro negou ter o apoiado. Já Cesário não respondeu aos questionamentos.
Perfil internacional
A escolha de Santos para assumir a presidência do Ibram passa pelo perfil internacionalista que os conselheiros do Ibram buscavam. A característica é vista como importante devido ao contexto geopolítico ao qual a mineração está atualmente inserida – o Brasil abriga algumas das principais reservas de minerais críticos alvos de disputa entre Estados Unidos e China.
Na divulgação de sua escolha, o Conselho do Ibram afirmou que a escolha teve caráter apartidário e técnico, “tendo se baseado na trajetória profissional de Azeredo Santos e na convergência de suas posições com as demandas da indústria da mineração e com os objetivos do instituto”.