Os contratos milionários do consórcio que despertou o interesse da Prefeitura de BH

Entidade, que reúne oito prefeituras da RMBH, já celebrou acordos com valores altos e nomeou filha de ex-prefeita
O consórcio tem sede em Belo Horizonte. Foto: Divulgação/Prefeitura de Vespasiano

A Prefeitura de Belo Horizonte (PBH) encaminhou à Câmara Municipal (CMBH), no sábado (24), um pedido para se filiar ao Consórcio Intermunicipal Multifinalitário de Minas Gerais (Comgranbel). A entidade, criada no fim de 2023, já movimenta altos valores em contratos públicos. Presidido pelo prefeito de Vespasiano, Zé Wilson (PSDB), o consórcio tem sede em BH e reúne atualmente, além da própria Vespasiano, os municípios de Capim Branco, Felixlândia, Florestal, Itaguara, Raposos, São José da Lapa e Taquaraçu de Minas.

O projeto enviado pela prefeitura aos vereadores destaca que a adesão ao Comgranbel permitirá a BH “buscar economias de escala e maior eficiência na aquisição de bens e serviços, além de ampliar a capacidade técnica e administrativa do município”.

O consórcio foi criado com objetivos amplos: promover a gestão associada de serviços públicos, compras conjuntas, capacitação de servidores, projetos conjuntos em saúde, transporte, saneamento, infraestrutura, entre outros. Em outubro de 2024, em sua única ata de reunião publicada, o Comgranbel decidiu abrir a filiação para qualquer cidade de Minas Gerais, independentemente de pertencer ou não ao entorno de BH.

Contratos milionários

A Comgranbel, apesar do pouco tempo de existência, já movimenta contratos com valores altos. Um dos acordos mais recentes destina R$ 8,77 milhões, ao longo de 12 meses, para o fornecimento de alimentos por parte de uma padaria de Sabará. O acordo, homologado em abril de 2025, prevê a entrega de pães, lanches e kits para merenda escolar e programas sociais das prefeituras consorciadas.

Além desse contrato, outros dois chamam a atenção:

  • Fornecimento de uniformes escolares: firmado com a Vestisul Indústria e Comércio, no valor de R$ 105 milhões.
  • Materiais e equipamentos para escolas: contrato com o Consórcio Firenze, no valor de R$ 398 milhões.

A Vestisul pertence ao empresário Aldo Martins Prudêncio, alvo de investigações em diferentes estados por supostas irregularidades em contratos de fornecimento de uniformes escolares, incluindo denúncias de superfaturamento, atrasos de entrega e produtos entregues em desacordo com os editais.

Já o Consórcio Firenze é liderado por Valdemar Abila, também investigado em licitações de prefeituras paulistas e mineiras por suspeitas de fraudes e formação de cartel em contratos com órgãos públicos.

Todos os três acertos foram feitos por meio de Registro de Preços – ou seja, a partir de agora, prefeituras e outras entidades públicas poderão aderir aos contratos com essas empresas de maneira mais rápida e com valores estabelecidos.

A propósito, no mês passado, a gestão Zé Wilson nomeou a filha da ex-prefeita de Vespasiano e ex-presidente da Granbel, Ilce Rocha, como secretária executiva do consórcio. Nathalia Ilce Rocha Perdigão teve seu cargo confirmado no último dia 11 de abril. Além de Nathália, Ilce é mãe da deputada estadual Nayara Rocha (PP).

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