O diretório do PSDB em Minas Gerais utilizou quase R$ 140 mil de recursos do fundo partidário em 2025 para fretar jatinhos que decolaram de Santa Catarina. As despesas foram registradas na prestação de contas enviada pela legenda ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
Os voos partiram do Aeroporto de São José, município vizinho de Florianópolis, e seguiram para cidades de Minas Gerais e para o Rio de Janeiro (RJ). A contratação dos serviços foi feita junto à empresa Santa Fé Aviação.
Em abril, o partido pagou R$ 57 mil por uma viagem de São José a São João del Rei (MG). Em julho, desembolsou R$ 75 mil por um novo fretamento que incluía paradas em Cláudio (MG) e na capital carioca antes do retorno a Santa Catarina. O contrato previa a execução do serviço em até sete dias.
As viagens iniciadas em Santa Catarina chamam atenção pela ligação do deputado federal e ex-governador Aécio Neves com o estado. Como já mostrou O Fator, entre junho de 2024 e junho de 2025, a Câmara dos Deputados custeou 81 passagens com origem ou destino em Florianópolis emitidas em nome do parlamentar, a um custo total de cerca de R$ 57 mil.
No período, Aécio utilizou a cota parlamentar para realizar 37 desembarques e 44 embarques na capital catarinense. Ele integrou apenas três voos entre Brasília e Confins, na Grande Belo Horizonte, e participou de 20 trajetos entre Brasília e Florianópolis.
O deputado embarcou 24 vezes em Florianópolis com destino a Brasília, enquanto partiu de Confins rumo à capital federal em apenas uma ocasião. Entre junho de 2024 e junho de 2025, a Câmara arcou com 106 bilhetes em nome de Aécio, ao custo total de R$ 130 mil.
Procurado à época, o parlamentar justificou as viagens a Santa Catarina afirmando que seus filhos menores residem em Florianópolis e disse manter residência também em Belo Horizonte e no Rio de Janeiro, onde mora sua filha mais velha.
Outros fretamentos
Além dos voos partindo de Santa Catarina, o PSDB mineiro registrou outros gastos com fretamento de aeronaves em Minas Gerais.
Em abril, o diretório tucano contratou a Black Táxi Aéreo por R$ 28 mil para uma viagem de ida e volta entre o Aeroporto da Pampulha e o Rio de Janeiro. Em maio, a mesma empresa recebeu R$ 33 mil por um voo de BH a Caxambu, no Sul de Minas, com retorno no dia seguinte.
Em junho, outro contrato, de R$ 45 mil, previu deslocamento de ida e volta entre a Pampulha e Uberlândia, no Triângulo Mineiro.
Procurada, a assessoria do PSDB de Minas Gerais informou, em nota, que “todos os voos fretados atenderam aos interesses do partido e, por essa razão, fazem parte da prestação de contas oficial apresentada à Justiça Eleitoral”.
Segundo os registros enviados ao TSE, o diretório mineiro recebeu R$ 1,6 milhão do diretório nacional da legenda ao longo de 2025, valor proveniente do fundo partidário. O tribunal aceitou a entrega das prestações de contas até 30 de junho, o que ainda pode resultar em eventuais ajustes nos números.
O que é o fundo partidário
O fundo partidário é permanente e destinado à manutenção das atividades administrativas e rotineiras dos partidos políticos. Pode ser usado para pagar salários, aluguel, contas operacionais, passagens, serviços jurídicos e contábeis, além de impulsionamento de conteúdo digital.
A poupança é formada por recursos do Orçamento da União, multas eleitorais e outras receitas previstas em lei. A maior parte — 95% — é distribuída conforme o desempenho dos partidos na última eleição para a Câmara dos Deputados; os 5% restantes são repassados de forma igualitária entre as legendas que cumprem os requisitos legais.
Diferente do Fundo Especial de Financiamento de Campanha (FEFC), conhecido como fundo eleitoral, o fundo partidário pode ser utilizado a qualquer tempo e não se restringe a anos eleitorais.